Temporais que já mataram cinco pessoas no Paraná deixam comunidades quilombolas de Adrianópolis sem luz, internet e estradas, ameaçando renda e permanência no território
Comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, na porção paranaense da região, enfrentam desde a última semana enchentes provocadas por chuvas intensas que já deixaram cinco mortos e afetaram milhares de pessoas no Paraná. Nos territórios quilombolas de Estreitinho, João Surá e Córrego das Moças, próximos a Adrianópolis, moradores relatam queda de energia elétrica, falta de acesso à internet e bloqueios em estradas que isolam as comunidades e dificultam o acesso a serviços básicos de saúde e alimentação.
Em Estreitinho, às margens do Rio Pardo, a interrupção prolongada da rede elétrica causou perda de insumos e da produção de leite, principal fonte de renda das famílias. Vanessa Cordeiro, moradora do quilombo, afirma que a situação ameaça não apenas a renda dos próximos meses, mas a própria permanência das famílias no território. Durante as tempestades entre os dias 11 e 13, três moradores ficaram ilhados na comunidade, entre eles um paciente oncológico sem acesso à medicação, já que a saída do território depende de travessia de bote pelo Rio Pardo.
Em João Surá, a preocupação recai sobre a abertura das comportas da represa do Rio Capivari, afluente do Ribeira do Iguapé. Carla Galvão, moradora da comunidade, explica que as enchentes são comuns nesta época do ano, mas que a intensidade da liberação de água não é comunicada aos quilombolas, o que impede qualquer preparação: segundo ela, o rio enche repentinamente e a comunidade perde o controle sobre a vazão natural.
As enchentes também bloquearam trechos da BR-476, comprometendo pontes de madeira e bueiros e dificultando o acesso a serviços de saúde e à chegada de alimentos, já que a comunidade é abastecida a partir de Curitiba. Gedielson Ramos, presidente da associação de moradores de Córrego das Moças, denuncia que a ajuda humanitária não consegue chegar enquanto a rodovia permanece bloqueada e que o município não dispõe de estrutura suficiente para atender às emergências nos territórios quilombolas.
A Defesa Civil do Paraná afirma prestar apoio à cidade com atendimentos em regiões emergenciais, mas, até a publicação da reportagem original, não havia atualizações oficiais do órgão sobre as comunidades quilombolas. Diante disso, os moradores reivindicam a instalação de geradores elétricos e sistemas de internet para dar suporte durante cheias futuras, além de apoio do poder público para reconstrução a médio e longo prazo. Em Estreitinho, a comunidade também cobra a construção de uma ponte que ponha fim ao isolamento provocado pelas águas do Rio Pardo.
Fonte: Brasil de Fato
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

