Durante a Semana do Clima, movimento indígena brasileiro cobra implementação de compromissos e financiamento direto aos territórios
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) está em Nova York entre os dias 20 e 27 de setembro para uma nova etapa de incidência política internacional, durante a Semana do Clima que ocorre paralelamente à Assembleia Geral das Nações Unidas. A representação é feita pela coordenadora executiva Luana Kaingang e pelo coordenador executivo Dinamam Tuxá, que participam de reuniões bilaterais e painéis sobre financiamento climático, proteção das florestas e economias indígenas.
A APIB defende que compromissos climáticos assumidos nos últimos anos avancem da promessa para a implementação: demarcação e proteção de terras indígenas, financiamento acessado diretamente pelas organizações indígenas e responsabilização das cadeias produtivas que lucram com destruição ambiental. A organização cita a NDC dos Povos Indígenas do Brasil, que estabelece a demarcação e a proteção territorial como política de mitigação climática, e dados segundo os quais as terras indígenas estão entre as áreas mais preservadas do país nas últimas quatro décadas.
A agenda em Nova York integra mobilização junto à Aliança Global de Comunidades Territoriais (GATC) e dá atenção especial ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que na COP30 estabeleceu a destinação de pelo menos 20% dos pagamentos a organizações e mecanismos de povos indígenas e comunidades locais. Para a APIB, o próximo passo é garantir implementação efetiva desse percentual, com governança indígena e salvaguardas socioambientais.
A APIB também leva a posição construída no Acampamento Terra Livre 2026 por um Mapa do Caminho Global para Além dos Combustíveis Fósseis, defendendo transição justa com fim da expansão de novas fronteiras de petróleo, gás e carvão, e alertando que o discurso da transição energética vem sendo usado para legitimar novas pressões minerárias sobre terras indígenas. A organização afirma que os povos indígenas não aceitarão que seus territórios sejam transformados em zonas de sacrifício para sustentar uma transição energética construída sob a mesma lógica colonial que produziu a crise climática.
Ao longo de 2026, a APIB ampliou a atuação sobre cadeias globais de soja, carne, couro, madeira e minerais, tendo cobrado do grupo financeiro francês BPCE, em missão à Europa em junho e julho, política de desmatamento zero e rastreabilidade integral. Segundo a organização, o aumento da demanda por commodities agrícolas e minerais tem ampliado a pressão sobre terras indígenas e aprofundado a violência contra defensores do meio ambiente. No caminho entre a COP30, em Belém, e a COP31, na Turquia, a APIB afirma que cobrará implementação, coerência e responsabilização, e não novos diagnósticos.
Fonte: APIB
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de APIB e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

