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Calor extremo na Amazônia expõe desigualdade e ameaça modo de vida na floresta

Artigo do InfoAmazonia argumenta que o aumento das temperaturas e as secas recorrentes na Amazônia atingem de forma desigual comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, cobrando delas o maior preço por uma crise climática que não causaram.

Nesta reportagem

Artigo aponta que aumento das temperaturas e secas atingem primeiro quem já tem menos acesso a água, saúde e proteção social na região

Um artigo publicado pelo InfoAmazonia por Adilson Vieira e Brenda Kauanne alerta que o aumento do calor na Amazônia não pode ser tratado como fenômeno natural a ser normalizado, mas como uma questão política que expõe desigualdades históricas. Segundo os autores, quando o calor compromete a saúde, o trabalho e a permanência no território, atinge de forma desigual quem tem menos renda, moradia precária e menor acesso a serviços públicos.

O texto cita a Organização Mundial da Saúde para destacar que a vulnerabilidade ao calor depende de fatores fisiológicos e socioeconômicos, atingindo com mais força trabalhadores ao ar livre e populações urbanas e rurais pobres. Nos territórios indígenas, ribeirinhos, quilombolas e de povos extrativistas, o calor se combina com a seca e a redução dos rios, dificultando o acesso a alimentos, saúde e transporte, já que em muitas comunidades o rio é a única via de deslocamento.

O artigo recupera dados da seca de 2023, quando o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais registrou as menores precipitações em mais de 40 anos em toda a Bacia Amazônica. No Amazonas, 59 dos 62 municípios entraram em situação de emergência, atingindo cerca de 600 mil pessoas. Em 2024, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico declarou escassez hídrica nos rios Madeira e Purus, comprometendo o transporte de saúde, educação, alimentos e combustíveis a comunidades amazônicas.

Segundo o texto, o aquecimento global tem papel central nesse cenário: a rede científica World Weather Attribution estimou que o aquecimento tornou cerca de 30 vezes mais provável a seca agrícola registrada em 2023, superando a influência do El Niño. Um estudo publicado na revista Nature em 2024 é citado para apontar que entre 10% e 47% das florestas amazônicas podem estar expostas, até 2050, a perturbações combinadas capazes de provocar transições ecológicas irreversíveis.

Os autores defendem que a resposta à crise climática precisa incluir metas verificáveis de redução de emissões para fabricantes de veículos pesados, transportadoras e empresas de energia, além de financiamento e infraestrutura que garantam autonomia às comunidades para definir prioridades e acompanhar resultados. Para o artigo, populações amazônicas não devem ser vistas apenas como destinatárias de políticas públicas, mas como produtoras de conhecimento e de soluções que já enfrentam a crise no cotidiano, antes que ela apareça nos mapas nacionais de risco.


Fonte: InfoAmazonia

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de InfoAmazonia e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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