Petrobras aguarda resultado de perfuracao e Chevron inicia levantamento sismico na regiao, enquanto MPF pede suspensao de licenca
A Petrobras deve anunciar a qualquer momento a análise dos indícios de petróleo encontrados no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas. A estatal já obteve aval do IBAMA para perfurar mais três poços na área, enquanto a petrolífera estadunidense Chevron, em parceria com a chinesa CNPC, inicia um levantamento sísmico 3D nas águas ultraprofundas do Amapá para avaliar o potencial de petróleo e gás na região, segundo relato do vice-presidente de Exploração da Chevron, Kevin McLachlan.
A operação da Chevron, conduzida com as empresas SLB e Shearwater GeoServices, ocorre em área a cerca de 130 quilômetros do poço perfurado pela Petrobras, segundo o Money Times. A Chevron adquiriu nove blocos na Foz durante o chamado “Leilão do Fim do Mundo”, realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) em junho de 2025. Para o ClimaInfo, a autorização concedida à Petrobras “abriu a porteira” para o avanço da exploração petrolífera de outras empresas na região.
A costa amapaense abriga dois dos ecossistemas mais sensíveis do planeta: o Grande Sistema de Recifes da Amazônia e o maior corredor contínuo de manguezais do mundo, que estocam cerca de 1,5 bilhão de toneladas de CO2, conforme destaca o g1. A doutora em Geologia e Geofísica Marinha Valdenira dos Santos afirma que a região possui características hidrodinâmicas únicas que a tornam de nível máximo de sensibilidade ambiental, o que dificultaria qualquer resposta a um eventual acidente, já que a maior parte da costa é composta por manguezais e florestas de várzea.
Segundo o ClimaInfo, todo esse risco poderia ter sido avaliado previamente por meio de uma Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS), instrumento definido em 2012 por portaria dos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e de Minas e Energia (MME) para classificar áreas como aptas, não aptas ou em moratória para exploração. Como lembram a DW e o UOL, o Brasil não realizou esse estudo nem na Foz do Amazonas nem nas demais bacias da Margem Equatorial — Potiguar, Ceará, Barreirinhas e Pará-Maranhão —, mesmo assim os planos de exploração seguem avançando.
Diante da ausência dessa avaliação ampla, o Ministério Público Federal (MPF) voltou a recorrer ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) pedindo a suspensão da licença que autoriza a Petrobras a perfurar poços no Bloco 59, na Foz do Amazonas. O recurso, apresentado em 17 de setembro, segundo o Poder 360, solicita a interrupção das atividades até que sejam aprofundados os estudos sobre os impactos nas comunidades tradicionais e na pesca artesanal do Pará.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

