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Moradores de Antônio Pereira (MG) relatam tremores diários perto de barragem da Vale

Documentos de auditoria mostram acionamentos de sismógrafos e dúvidas geológicas na Barragem Doutor, enquanto a Vale nega relação com os abalos sentidos pela comunidade

Nesta reportagem

Documentos de auditoria mostram acionamentos de sismógrafos e dúvidas geológicas na Barragem Doutor, enquanto a Vale nega relação com os abalos sentidos pela comunidade

Moradores do distrito de Antônio Pereira, em Ouro Preto (MG), vêm registrando há anos episódios de tremores em suas casas, que eles associam às estruturas minerárias no entorno da comunidade, entre elas a Barragem Doutor, da Vale, em processo de descaracterização, e a Mina de Timbopeba. Em 19 de agosto de 2026, moradoras como Giovania Santana, Patrícia Rodrigues e José Nazareno Pinheiro trocaram relatos no grupo da Comissão de Pessoas Atingidas sobre janelas e paredes vibrando, um fenômeno que, segundo eles, se repete quase todos os dias desde 2019. A Vale nega que os tremores relatados pela população tenham relação com suas atividades.

Documentos técnicos da SLR Consulting, auditoria independente que acompanhava a Barragem Doutor, mostram que, no mesmo período dos relatos da comunidade, sismógrafos instalados na estrutura registraram diversos acionamentos acima do limite de referência. Em dezembro de 2024, dias depois de um desses registros, 11 dos 17 sismógrafos foram retirados da rede de monitoramento pela equipe geotécnica da Vale e pela projetista responsável. Entre março e julho de 2025, outros equipamentos voltaram a disparar, com picos de até 14,1 milímetros por segundo. A Vale atribuiu os registros a obras realizadas nas proximidades dos aparelhos, explicação que a SLR classificou como insuficiente diante da recorrência dos eventos, pedindo investigação mais aprofundada.

Para além dos sismógrafos, a auditoria vinha cobrando da Vale, em sucessivos relatórios, esclarecimentos sobre a geologia da fundação da barragem, sobretudo do Dique 1, onde mapas históricos indicam a presença de rochas dolomíticas associadas a risco de dissolução e abatimento do terreno. A SLR apontou divergências entre esses registros e a caracterização apresentada pela Vale, além de oscilações em piezômetros e buracos no terreno, considerados por ela


Fonte: Brasil de Fato

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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