Com a menor taxa de desmatamento em quase 40 anos, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais pode sofrer novos ataques caso candidato do PL chegue à Presidência
O Brasil divulgou na última semana um número histórico: em 2026, a Amazônia registrou 3.335 km² de desmatamento, a menor taxa em quase quarenta anos de medições feitas pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O dado é produzido pelos programas Prodes e Deter, que orientam há décadas as políticas públicas de combate à destruição da floresta e hoje colocam o país como protagonista internacional na agenda climática, segundo análise publicada pelo ((o))eco.
O resultado positivo, no entanto, contrasta com o histórico recente de ataques ao Instituto durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), quando o desmatamento cresceu em média 60% em relação à gestão anterior. Segundo o ((o))eco, membros daquele governo chegaram a afirmar, sem comprovação, que os dados do INPE eram ruins e que havia um “inimigo” dentro do órgão agindo contra o governo. O então presidente do Instituto, Ricardo Galvão, foi acusado de estar “a serviço de alguma ONG” e exonerado em seguida.
Além dos ataques públicos, o governo Bolsonaro promoveu cortes orçamentários profundos: o orçamento do INPE caiu de R$ 203,8 milhões em 2010 para R$ 79,1 milhões em 2021, chegando a colocar em risco até o pagamento de contas básicas como água e luz, de acordo com o levantamento. A ministra Cármen Lúcia, do STF, chamou esse processo de “cupinização”, quando a destruição institucional ocorre por dentro.
A publicação alerta que Flávio Bolsonaro, candidato que pode ocupar a cadeira que foi de seu pai, já defendeu enquanto senador a tentativa de legalizar o desmatamento no Brasil. Segundo o texto, o plano de governo do candidato do PL traz 22 menções diretas a “Jair Bolsonaro” ou “governo Bolsonaro”, além de ao menos dez referências indiretas à gestão de 2019-2022, incluindo expressões como “nosso governo” e “já fizemos no passado”.
Para o ((o))eco, a produção científica do INPE – que publica em média um resultado por dia em parceria com instituições como o francês CNRS, o alemão Max Planck e a agência americana NASA – está em risco caso o padrão de desmonte do governo anterior se repita. O texto classifica Flávio Bolsonaro como negacionista do clima e da democracia e afirma que uma eventual vitória eleitoral colocaria em risco tanto a Amazônia quanto a estrutura que monitora sua destruição há quase 40 anos.
Fonte: ((o))eco
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ((o))eco e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

