Cacique bolsonarista é acusado de matar morador após demissões em massa de apoiadores do PT; ação policial deixa mais dois mortos
Na manhã de 13 de outubro, moradores da Terra Indígena Votouro, no Rio Grande do Sul, foram até a casa do cacique Darci Borges, do povo Kaingang, para questionar a demissão de cinco trabalhadores da aldeia ocorrida um dia após o primeiro turno das eleições. O encontro terminou em briga e no assassinato do indígena Álvaro Ferreira. Segundo relato de Rosa Kaingang* à Agência Pública, foi o próprio cacique, apoiador de Flávio Bolsonaro, quem atirou contra Ferreira, com a Brigada Militar presente no local, conforme mostra vídeo enviado por moradores.
Horas depois, durante ação do Batalhão de Choque da Brigada Militar chamado ao território após o primeiro crime, outras duas pessoas da comunidade morreram. Moradores afirmam que os militares desceram atirando; a corporação, à Rádio Gaúcha, alegou ter sido recebida a tiros e atribuiu a violência a uma disputa interna de liderança. A Polícia Federal investiga o caso e não divulgou a identidade das vítimas. A Brigada Militar, a Secretaria da Segurança Pública do estado e a Polícia Civil não responderam aos questionamentos da reportagem até a publicação. O cacique Darci Borges foi procurado por telefone e recusou-se a dar entrevista.
Para os indígenas ouvidos pela Pública, a disputa tem nome: perseguição política. Eles relatam que Darci Borges pune há anos moradores que apoiam candidatos do PT, com demissões de empregos na aldeia e ameaças de expulsão e incêndio de casas. Um áudio que moradores dizem ter sido gravado pelo cacique mostra ameaças a uma funcionária pública. O Ministério Público Federal abriu procedimento de mediação e pediu reforço do policiamento no segundo turno; sobre a apuração criminal, informou não ter retorno.
O caso de Votouro não é isolado. Em Roraima, lideranças Yanomami relatam à reportagem que garimpeiros telefonaram a jovens da etnia avisando que vão
Fonte: Agência Pública
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Agência Pública e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

