Coalizão jurídica aciona autoridades de quatro países europeus com base em levantamento que associa fornecedores da empresa a 6,5 milhões de hectares desmatados
A JBS, maior processadora de carnes do mundo, é alvo de 14 denúncias apresentadas nesta quinta-feira (5) a autoridades do Reino Unido, Irlanda, Alemanha e Países Baixos por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada ao desmatamento ilegal na Amazônia. As acusações foram encaminhadas pela Coalizão Jurídica Transnacional (TLC), que também denunciou bancos, investidores e prestadores de serviços ligados à companhia, incluindo a gestora BlackRock e a filial londrina do Banco do Brasil.
A base das denúncias é um estudo encomendado pela TLC à organização AidEnvironment, que cruzou registros oficiais de transporte de gado, cadastros de propriedades rurais e dados de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O levantamento identificou 12.576 fornecedores diretos e indiretos da JBS no Mato Grosso, Pará e Tocantins, associados a mais de 6,5 milhões de hectares desmatados na Amazônia desde 1988 — sendo 3,4 milhões de hectares ligados a fornecedores diretos e 3,2 milhões a indiretos. Segundo a pesquisa, mais de 80% dos fornecedores analisados na amostra apresentavam desmatamento em áreas protegidas, como Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente.
O argumento jurídico da coalizão é que gado criado em áreas desmatadas criminosamente pode ser considerado bem de origem ilícita, o que sujeitaria os recursos movimentados no sistema financeiro internacional à legislação europeia de combate à lavagem de dinheiro. Por isso, bancos, investidores, auditores e escritórios de advocacia ligados à JBS teriam obrigação legal de identificar operações suspeitas e comunicá-las às autoridades. A TLC também apresentou notícia-crime contra a JBS N.V., controladora do grupo sediada nos Países Baixos, pedindo abertura de investigação criminal ao Ministério Público daquele país.
Fonte: Brasil de Fato
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

