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APIB alerta: avanço bolsonarista no Congresso amplia ameaças a territórios indígenas

A APIB denuncia ameaças de invasão contra os povos Parakanã, Kayapó, Yanomami e Munduruku após o primeiro turno das eleições de 2026 e alerta para os riscos do avanço bolsonarista no Congresso e na disputa presidencial.

Nesta reportagem

Articulação denuncia ameaças a Parakanã, Kayapó, Yanomami e Munduruku após eleições e cobra compromissos de qualquer governo eleito

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) divulgou nota intitulada “Regresso Nacional” alertando para os efeitos do avanço da extrema direita nas eleições de 2026 sobre a luta indígena. Segundo a organização, a direita elegeu mais de 300 deputados federais, com o PL sozinho somando 121 parlamentares, e passou a ocupar 63 das 81 cadeiras do Senado, das quais ao menos 40 com senadores bolsonaristas.

A APIB denuncia que, ainda no intervalo entre os turnos, ameaças concretas já atingiram comunidades indígenas. Segundo a articulação, indígenas Parakanã da Terra Indígena Apyterewa, no Pará, receberam ameaças de novas invasões caso Flávio Bolsonaro seja eleito. Os povos Kayapó, Yanomami e Munduruku também denunciaram ameaças de garimpeiros após o primeiro turno. No sul da Bahia, a APIB relata ameaças de grupos armados associados ao movimento Invasão Zero contra povos indígenas da região, e no Rio Grande do Sul aponta que conflitos internos na Terra Indígena Votouro, do povo Kaingang, se agravaram durante o período eleitoral e deixaram três indígenas mortos.

A nota recupera que a APIB denunciou Jair Bolsonaro ao Tribunal Penal Internacional por genocídio, em razão de violações cometidas contra povos indígenas, inclusive durante a pandemia de Covid-19. A articulação afirma que o avanço de setores bolsonaristas no Congresso amplia a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal, que em 2025 declarou inconstitucional a tese do marco temporal, e destaca que parlamentares bolsonaristas fizeram da derrubada de ministros do STF bandeira eleitoral.

Para a APIB, uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência representaria risco de retomada do que a organização chama de projeto de morte do governo de seu pai, com a proposta declarada do candidato de usar a nova composição do Congresso para alterar a Constituição, onde estão reconhecidos os direitos originários indígenas. A nota também associa esse cenário à disputa internacional por minerais estratégicos e aos interesses dos Estados Unidos nas riquezas brasileiras.

A articulação reafirma apoio declarado à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva como forma de manter um campo democrático de disputa, mas ressalva que essa posição exige compromissos concretos com a proteção dos territórios, independentemente de qual governo seja eleito. A APIB encerra a nota afirmando que os territórios indígenas representam a principal barreira contra o avanço do que descreve como uma pandemia política de extrema direita.


Fonte: APIB

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de APIB e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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