Bancada organizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil reúne nomes de 39 povos em 19 estados sob a estratégia de ‘aldear a política’
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) articula, para as eleições de 2026, uma Bancada Indígena com 56 candidaturas de 39 povos, distribuídas por 19 estados, das quais 27 são de mulheres. O recorte integra um universo maior mapeado pela Campanha Indígena: 194 candidaturas de pessoas indígenas de 67 povos identificados em todo o país.
As 56 candidaturas não foram escolhidas para definir quem é ou não indígena, mas construídas a partir de indicações das organizações regionais que compõem a APIB e acompanham de perto as trajetórias das lideranças em cada território. Alana Manchineri, coordenadora da Campanha Indígena, explica que a escolha busca vínculo com as bases: “a ideia é que a escolha tenha vínculo com as bases e seja construída a partir de quem já participa das lutas dos povos em cada região”. Segundo ela, o que diferencia essas candidaturas é o compromisso político coletivo, e não uma campanha individual da APIB pedindo voto para cada nome — os canais da articulação apresentam trajetórias e informações, enquanto o pedido direto de voto segue sob responsabilidade de cada campanha.
Uma das barreiras centrais apontadas por Alana é o acesso desigual ao financiamento eleitoral e às estruturas partidárias, que penaliza sobretudo candidaturas de territórios extensos e distantes dos grandes centros urbanos. Para enfrentar esse cenário, a articulação cobra dos partidos recursos e condições adequadas de disputa. As mulheres indígenas também ampliam presença: 87 das 194 candidaturas mapeadas são femininas, crescimento que Alana relaciona ao fortalecimento das organizações indígenas de mulheres e a processos de formação política recentes — sem deixar de reconhecer que violência política de gênero e racismo continuam se somando às dificuldades de acesso a recursos.
A expressão que resume a estratégia é “aldear a política”. Segundo Dinamam Tuxá, coordenador-executivo da APIB, isso significa ocupar todos os espaços de tomada de decisão, e não apenas órgãos ligados diretamente aos povos indígenas, como o Ministério dos Povos Indígenas, a Funai e a Sesai. A proposta é chegar também a estruturas como Fazenda e Casa Civil, onde se decidem economia e orçamento que afetam toda a população. Essa visão está detalhada no documento “Nosso Território, Nossa Vida”, lançado pela APIB em agosto, que reúne propostas sobre democracia, economia, clima e direitos indígenas, com a demarcação de todas as Terras Indígenas até 2030 como meta central.
Dinamam resume o projeto como uma proposta de país, não de poder, mantendo a política territorial entre os pontos inegociáveis do movimento. A APIB também discute como manter lideranças eleitas conectadas às organizações depois de assumirem mandato, para que o acompanhamento e a cobrança continuem além da urna. Em 2022, a bancada articulada pelo movimento somava 30 candidaturas; em 2026, o número quase dobrou para 56, parte de uma atuação que a Campanha Indígena organiza hoje em quatro frentes: propostas para o país, fortalecimento de candidaturas, alianças com outros movimentos e formação política dos povos.
Fonte: Mídia NINJA
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Mídia NINJA e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

