Coalizão Forests & Finance mostra financiamento bilionário a agronegócio e mineração em florestas tropicais entre 2020 e 2025, às vésperas da COP17 da Biodiversidade
Instituições financeiras emprestaram até US$ 595 bilhões (R$ 2,98 trilhões) entre 2020 e 2025 para empresas que contribuem para o desmatamento tropical e a destruição de ecossistemas, segundo o relatório “Banking on Biodiversity Collapse 2026”, publicado pela coalizão Forests & Finance em 14 de outubro. Do total, US$ 351 bilhões (R$ 1,76 trilhão) foram destinados a empresas de commodities agrícolas de alto risco e US$ 244 bilhões (R$ 1,23 trilhão) a companhias de mineração.
O documento, divulgado dias antes da COP17 da Biodiversidade, que começa na próxima semana na Armênia, aponta que esses setores são os principais responsáveis pelo desmatamento, pela degradação do solo e pelos conflitos com comunidades nas bacias florestais tropicais da América do Sul, do Sudeste Asiático e da África Central e Ocidental. Segundo o relatório, os empréstimos anuais para mineração em países ricos em florestas tropicais cresceram 55% entre 2016 e 2025, com os maiores aumentos em lítio e níquel. O financiamento para commodities agrícolas de risco florestal subiu 71% no mesmo período, puxado pela alta de 137% no financiamento à soja, 157% à celulose e papel, e mais de 50% à carne bovina.
No Brasil, a Forests & Finance aponta que instituições financeiras continuam financiando as principais empresas de comercialização de soja mesmo após o colapso da Moratória da Soja na Amazônia neste ano, o que enfraquece um dos acordos voluntários de proteção florestal mais reconhecidos no mundo. Na Indonésia, o relatório afirma que o financiamento segue apoiando modelos de plantação associados ao desmatamento, à drenagem de turfeiras e a incêndios que cobriram o Sudeste Asiático de fumaça tóxica neste ano.
Pela primeira vez, o relatório analisou também o financiamento à mineração de metais e minerais em bacias florestais tropicais, acompanhando a rápida expansão da produção de níquel, lítio, cobalto e cobre em regiões de alta biodiversidade. Segundo o documento, essa expansão alimenta uma nova onda de destruição: comunidades enfrentam apropriação de terras e contaminação, trabalhadores sofrem condições perigosas e florestas são devastadas, muitas vezes sob o discurso da transição “verde” ou “limpa”.
A Forests & Finance afirma que as instituições financeiras têm responsabilidade de devida diligência sobre seus clientes e devem responder pelas violações de direitos humanos que ajudaram a financiar. O relatório conclui que os bancos responsáveis pelos créditos de maior risco ainda não adotam salvaguardas adequadas para mitigar danos ambientais e sociais graves.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

