Cientistas e lideranças indígenas alertam que vitória de Flávio Bolsonaro ameaça floresta e territórios protegidos
O 1º turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro, colocou frente a frente o presidente Lula, do PT, buscando o terceiro mandato, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL. Segundo reportagem do Grist, observadores ambientais enxergam na disputa um referendo sobre o futuro da Amazônia e dos povos originários que habitam e protegem a floresta.
“Levamos muito a sério os riscos para a Amazônia caso Flávio Bolsonaro vença as eleições, porque ele é um negacionista climático”, afirmou Carlos Nobre, cientista climático do Instituto de Altos Estudos da USP, ao Grist. Nobre avalia que uma eventual vitória do candidato elevaria o desmatamento na região. Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, faz campanha com agenda favorável ao agronegócio, ao garimpo, à mineração e à desregulamentação ambiental.
Monica de Bolle, economista do Instituto Peterson de Economia Internacional, compara a candidatura de Flávio a uma repetição do governo paterno, que “deixou a boiada passar” e viu o desmatamento disparar, as notificações de infrações ambientais despencarem e as emissões de carbono na Amazônia quase dobrarem em 2019 e 2020 em relação à média de 2010 a 2018. Segundo Monica, Jair Bolsonaro “basicamente desmantelou a estrutura de fiscalização” e isso tende a se repetir.
A Sumaúma detalha que, apesar de Lula ter vencido em mais de 55% dos municípios amazônicos, Flávio obteve mais votos em cidades maiores e em áreas com mais desmatamento para pasto, soja ou mineração, o que deu ao senador vantagem de pouco mais de 1 ponto percentual na região. Onde a floresta está mais conservada, a preferência tende a ser por Lula. A Folha registra que povos indígenas da Amazônia temem o avanço da candidatura de Flávio, que promete seguir os passos do pai — governo que incentivou invasões a áreas protegidas e o garimpo ilegal, responsável pela crise humanitária que quase exterminou o povo Yanomami.
Inara Waty, liderança do povo Sateré-Mawé, que vive na região do Médio Amazonas, na fronteira entre Amazonas e Pará, diz que o sobrenome Bolsonaro “significa, acima de tudo, medo” e “representa tudo o que há de ruim para nós”. Para ela, enquanto o agronegócio quer terra para lavoura de soja e criação de gado, os povos indígenas querem a terra “para sobreviver, para plantar” e “para cuidar dela” — por isso, afirma, esta eleição é “questão de vida”. A Bloomberg aponta ainda que Flávio já prometeu asfaltar rodovias federais no Amazonas, estado coberto em grande parte por floresta preservada, ampliando o risco de devastação além da BR-319, cujo asfaltamento é defendido por ambos os candidatos.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

