Pesquisa no Pará mostra que de 15 a 25 espécies concentram quase metade do carbono e da biodiversidade em florestas em regeneração
Um estudo publicado em junho na revista Global Change Biology identificou que um grupo de 15 a 25 espécies de árvores responde por mais da metade das árvores e dos estoques de carbono em florestas amazônicas em processo de regeneração natural. A pesquisa, coordenada por Fernando Elias, do Museu Paraense Emílio Goeldi, analisou 102 áreas em quatro regiões do Pará — Bragantina, Marabá, Paragominas e Santarém.
Entre as espécies apontadas como hiperdominantes estão a embaúba, a tatapiririca, o ingá-vermelho e o araticum-bravo. Segundo Elias, compreender essa dinâmica pode orientar estratégias de restauração assistida em um bioma que acumula mais de 140 mil km² de florestas secundárias, formadas em terras antes usadas para pecuária e hoje abandonadas. Essas áreas têm potencial de regeneração natural, mas exigem monitoramento contra incêndios, invasão de gado e grilagem.
O achado é estratégico para o Brasil cumprir o compromisso internacional de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030. O Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa prevê a concessão de terras públicas a empresas privadas que se comprometam a restaurar vegetação em troca da venda de créditos de carbono. Empresas como Mombak, re.green e Biomas já desenvolvem projetos de grande escala na Amazônia, e o Pará se comprometeu a recuperar 7,41 milhões de hectares até 2036.
Beto Mesquita, engenheiro florestal da Conservação Internacional, destaca que as espécies pioneiras — de crescimento rápido e madeira pouco densa — precisam ser substituídas por espécies mais resistentes ao longo do tempo, sob risco de a floresta regredir se o sistema sucessional não se estabelecer. Mesquita também pondera que o termo “florestas secundárias” abrange situações muito distintas, da regeneração após desmatamento total até florestas em pé que sofreram extração seletiva de madeira, o que muda significativamente o potencial de restauração.
Outro estudo, publicado em agosto na revista Ecological Engineering por pesquisadores das universidades de São Paulo, Campinas e São Carlos em parceria com a re.green, testou drones para plantio de sementes em áreas degradadas de difícil acesso no sul da Bahia, na Mata Atlântica. Os resultados mostraram redução de custos e maior eficácia em áreas declivosas, embora sementes sem encapsulamento tenham superado as encapsuladas em taxa de estabelecimento e custo-benefício.
Fonte: Notícias ambientais
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Notícias ambientais e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

