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Candidata do PSD-GO muda de raça três vezes e vira ‘indígena’ às vésperas do registro

Levantamento do Brasil de Fato mostra que candidata do PSD em Goiás mudou de parda para amarela e depois para indígena em poucos dias, sem comprovar vínculo com povo ou território, e recebeu recursos do fundo eleitoral destinado a candidaturas indígenas.

Nesta reportagem

Betinha da Laranja recebeu R$ 375 mil do fundo eleitoral após se autodeclarar indígena dias antes do prazo, sem apresentar vínculo com povo ou território

Maria Elizabete do Nascimento, conhecida como Betinha da Laranja, candidata do PSD a deputada federal por Goiás, mudou de autodeclaração racial três vezes em menos de dois anos, segundo levantamento do Brasil de Fato DF em documentos da Justiça Eleitoral. Em 2024 ela se declarou parda; em 5 de agosto de 2026, na convenção partidária, constou como amarela; três dias depois, no registro de candidatura, passou a se autodeclarar indígena “de outras etnias indígenas de outros países”. O caso é apurado pela Procuradoria Regional Eleitoral em Goiás.

O TRE-GO confirmou que não há nos autos nenhuma Declaração de Liderança Indígena, carta de anuência comunitária ou documento equivalente que sustente a autodeclaração de Betinha, e que a Justiça Eleitoral não exige esse tipo de comprovação para o registro. Questionada por telefone sobre a qual povo pertence, a candidata não respondeu e a ligação foi encerrada quando a reportagem se identificou. Ela afirmou apenas ter “descendência indígena por parte da família”.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) declarou que não cabe à organização validar autodeclarações individuais, e sim ao povo ou comunidade da qual a pessoa afirma fazer parte. Betinha não integra a Bancada Indígena 2026, lista com 56 candidaturas de 39 povos apresentada pela Apib, que não traz nenhum nome de Goiás. Desde 2024 a Apib defende que a autodeclaração seja complementada por documento assinado por lideranças reconhecidas, proposta que não foi incorporada como exigência pela regulamentação eleitoral de 2026.

Em 2026, pela primeira vez, candidaturas indígenas têm direito a recursos proporcionais do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário, sem exigência de documento de reconhecimento comunitário. Única indígena autodeclarada entre 159 candidatas do PSD a deputada federal no país, Betinha recebeu R$ 375.455,60 da direção nacional do partido em 31 de agosto, sua única fonte de financiamento de campanha. A Apib alerta que autodeclaração indevida


Fonte: Brasil de Fato

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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