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Cimi denuncia à ONU invasão de território Piaci no Pará e omissão do Brasil

O Cimi denunciou na ONU, em Genebra, nova invasão em larga escala ao Território Ituna-Itatá, no Pará, e ameaças a povos isolados no Amazonas, cobrando medidas urgentes do Conselho de Direitos Humanos diante da inação do Estado brasileiro.

Nesta reportagem

Na 63ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, missionário relata nova invasão ao Ituna-Itatá e ameaças a povos isolados no Amazonas

O missionário Selcilius Riwi Nuga, representante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) na Equipe de Apoio aos Povos Isolados (EAPIL), denunciou nesta quinta-feira (24) a situação dos Povos Indígenas em Situação de Isolamento e Contato Inicial (Piaci) durante o Diálogo interativo com o Mecanismo de Peritos sobre os Direitos dos Povos Indígenas (EMRIP), na 63ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, na Suíça.

Riwi Nuga relatou que, durante visita ao Brasil, a EMRIP constatou os enormes desafios para a proteção desses povos no Território Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, e em outras regiões do país. Ele apontou duas situações consideradas mais graves e cobrou do Conselho medidas preventivas urgentes diante do que classificou como descumprimento, pelo Estado brasileiro, das obrigações previstas na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (UNDRIP).

No Pará, o Território Indígena Ituna-Itatá, que passou recentemente por desintrusão determinada pelo Supremo Tribunal Federal, sofreu nova invasão em larga escala, com mais de 500 pessoas e maquinário pesado, acompanhada de aumento significativo de incêndios. Segundo o missionário, servidores da Funai também estariam sendo ameaçados no território, e a situação dos povos isolados se agrava a cada dia.

No Amazonas, Riwi Nuga destacou que povos em isolamento voluntário cuja presença ainda não foi oficialmente reconhecida pelo Estado estão ameaçados pela exploração madeireira e de gás, pela abertura de estradas e pela perfuração de poços. Em 2024, a Funai confirmou a alta probabilidade da presença desses povos na região, mas, segundo o Cimi, nenhuma medida efetiva teria sido adotada para protegê-los desde então.

Diante do cenário exposto, o representante do Cimi instou o Conselho de Direitos Humanos da ONU a adotar medidas preventivas urgentes para evitar crimes atrozes e danos irreversíveis, e a proteger os povos indígenas em isolamento voluntário de uma possível escalada da violência nas duas regiões citadas.


Fonte: cimi.org.br

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de cimi.org.br e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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