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Projeto Festeja Tradição Mineira leva oficinas de comunicação a quilombos e aldeias em Minas Gerais

O Festeja Tradição Mineira, da Mídia Ninja, percorreu quilombos e territórios indígenas de Minas Gerais em 2026 oferecendo oficinas de comunicação para que as próprias comunidades narrem suas tradições e lutas territoriais.

Nesta reportagem

Iniciativa da Mídia Ninja passou por Mangueiras, território Xakriabá, povo Krenak e aldeia Pataxó para formar jovens narradores de suas próprias histórias

O projeto Festeja Tradição Mineira, criado em 2020 pela Mídia Ninja em parceria com Minas Ninja e Ninja Fotos, realizou em 2026 uma nova etapa de circulação por territórios quilombolas e indígenas de Minas Gerais. Entre maio e julho, oficinas de fotografia, vídeo, redes sociais e produção de conteúdo passaram pelo Quilombo Mangueiras, em Belo Horizonte, pelo Território Indígena Xakriabá, em São João das Missões, pela comunidade Krenak, em Governador Valadares, e pela Aldeia Pataxó Muã Mimatxi, em Itapecerica.

A proposta central do projeto é formar jovens dessas comunidades para que sejam eles próprios os narradores de suas tradições, memórias e lutas territoriais, em vez de terem sua história contada por olhares externos. Segundo o projeto, as manifestações culturais mais celebradas de Minas Gerais, como a Folia de Reis e a Congada, nasceram em comunidades quilombolas e indígenas antes da colonização e ganharam novas camadas de sincretismo durante o ciclo do ouro.

No Quilombo Mangueiras, reconhecido em 2018 como patrimônio cultural de Belo Horizonte, 32 famílias vivem em uma área de 19,9 hectares e enfrentam tentativas de invasão e especulação imobiliária, segundo o projeto. No Território Indígena Xakriabá, marcado por disputas em torno da demarcação, o povo Xakriabá segue lutando pela ampliação de suas terras, resistência que remonta, segundo o relato, ao século 18 diante de frentes pecuaristas e garimpeiras.

Em Governador Valadares, as oficinas chegaram ao povo Krenak, que mantém relação sagrada com o Rio Doce, chamado de Watu, e que segue enfrentando os impactos do rompimento da barragem de Fundão sobre seu modo de vida e seu território. Na Aldeia Pataxó Muã Mimatxi, em Itapecerica, o projeto encontrou a retomada do Patxohã, língua originária dos Pataxó, além de rituais como o Awê e práticas de artesanato ligadas à mata e aos Yãmixoop, espíritos protetores da cultura Pataxó.

Desde sua criação, o Festeja já visitou mais de 15 comunidades quilombolas e indígenas em Minas Gerais, unindo-se em 2024 ao Minas LAB para ampliar a formação em comunicação comunitária. Para os organizadores, a iniciativa busca garantir autonomia às juventudes indígenas e quilombolas para registrar seu cotidiano e suas tradições, ampliando vozes que historicamente resistem e protegem seus territórios.


Fonte: Mídia NINJA

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Mídia NINJA e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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