Pesquisadoras da UFPB apontam que Lei 11.645/2008 segue subaplicada e que ensino eurocêntrico ainda apaga conhecimentos tradicionais
Uma coluna publicada pelo Neabi-UFPB, núcleo de estudos afro-brasileiros e indígenas da Universidade Federal da Paraíba, defende que as escolas brasileiras apliquem de fato as leis que tornam obrigatório o ensino da história e cultura indígena e afro-brasileira, incorporando esses conteúdos em todo o currículo escolar, e não apenas em datas comemorativas como o Dia do Índio ou a Consciência Negra.
Segundo as autoras, dados do IBGE de 2022 mostram que 0,6% da população brasileira se autodeclara indígena, parcela inserida em um país de maioria parda e branca, mas de intensa diversidade étnico-racial. Para o núcleo, essa diversidade segue invisibilizada na sala de aula porque a ciência eurocêntrica foi historicamente tratada como a única forma legítima de conhecimento, herança direta do processo de colonização que impôs aos povos colonizados a cultura e os costumes europeus.
A coluna sustenta que, embora o colonialismo formal tenha terminado, sua lógica de dominação permanece: o conhecimento científico ocidental ainda é visto como superior, enquanto os saberes tradicionais dos povos indígenas sobre natureza, biodiversidade e relação com o meio ambiente continuam de fora dos currículos. É nesse ponto que as autoras situam a perspectiva decolonial como caminho para ressignificar o ensino, reconhecendo os povos originários como produtores legítimos de conhecimento.
Como exemplos de protagonismo indígena, a coluna cita Ailton Krenak, filósofo, escritor e ambientalista do povo Krenak, único indígena a ocupar cadeira na Academia Brasileira de Letras, e a deputada federal Sônia Guajajara, do povo Guajajara, que em 2023 se tornou a primeira mulher indígena a assumir um ministério no Brasil, à frente do Ministério dos Povos Indígenas. Segundo o texto, ambos defendem que os saberes indígenas sejam reconhecidos como parte do patrimônio científico, cultural e ambiental do país.
As autoras reforçam que a proposta não é substituir o conhecimento científico ocidental, mas romper com modelos prontos que apagam o conhecimento tradicional, ampliando o currículo escolar para incluir formas indígenas de compreender a natureza e a biodiversidade como saberes válidos e necessários à educação brasileira.
Fonte: Brasil de Fato
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

