Levantamento da CPT registra 306 conflitos no bioma entre janeiro e junho, com 385 casos de violência direta contra pessoas e dois assassinatos
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou dados parciais que apontam a contaminação por agrotóxicos como a principal violência registrada nos territórios do Cerrado no contexto dos conflitos por terra no primeiro semestre de 2026, com 133 ocorrências – das quais 125 concentradas no Maranhão. O levantamento, organizado pelo Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, contabilizou 306 ocorrências de conflitos no campo entre janeiro e junho, somando disputas por terra, água e trabalho.
Segundo a CPT, os conflitos por terra somaram 261 casos, sendo a violência contra a ocupação e a posse – com 243 registros – a categoria de maior incidência. O levantamento evidencia que os desafios do bioma não se resumem à devastação ambiental: nos territórios, a disputa também envolve a permanência de povos e comunidades, o acesso à terra e à água, e o enfrentamento cotidiano da violência.
A entidade registrou 385 casos de violência direta contra pessoas no período, entre eles 195 por contaminação por minérios e 42 por contaminação por agrotóxico. Também aparecem ferimentos (36), criminalização (29), ameaça de prisão (26), intimidação (23), ameaça de morte (9), morte em consequência (9), prisão (8), agressão (5) e uma tentativa de assassinato. A CPT contabilizou ainda dois assassinatos no campo: um indígena Guarani e Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, e um camponês Sem Terra, no Mato Grosso.
O acesso à água também é alvo de disputa no bioma. A CPT registrou 27 ocorrências de conflitos relacionados à água no primeiro semestre, tendo a contaminação por agrotóxico como principal causa, com 8 ocorrências, além de diminuição do acesso, destruição e poluição, contaminação por minérios, impedimento do acesso e reassentamento inadequado. No campo trabalhista, foram 18 ocorrências de trabalho escravo rural no Cerrado, que resultaram no resgate de 248 trabalhadores.
Apesar do cenário de violência, o levantamento também reúne formas de mobilização e organização das comunidades: 17 ocupações e 87 ações de manifestação foram identificadas no período, incluindo mobilizações por terra, território, demarcação e direitos de povos e comunidades. Entre elas está o Acampamento Terra Livre (ATL), realizado em Brasília, que reuniu milhares de pessoas indígenas na capital federal para reivindicar direitos e a demarcação de terras indígenas.
Fonte: Brasil de Fato
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

