Revista de jornalismo investigativo indígena Santa Maria (RS)
Apoie
Skip to main content Scroll Top

CRIC se junta a protestos contra governo colombiano de De la Espriella

O Conselho Regional Indígena do Cauca integrou protestos em seis cidades colombianas contra o governo de Abelardo de la Espriella, denunciando megaprojetos e risco à autonomia territorial dos povos originários.

Nesta reportagem

Conselho Regional Indígena do Cauca denuncia megaprojetos e risco à autonomia territorial em mobilização que tomou seis cidades

Milhares de pessoas marcharam nesta quarta-feira (14) em Bogotá, Cali, Medellín, Bucaramanga, Pereira e Riohacha contra o governo do presidente colombiano Abelardo de la Espriella, apenas dois meses após o início de sua gestão. A convocação reuniu sindicatos, coletivos estudantis, centrais sindicais e o Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC), que levou às ruas a denúncia de megaprojetos e medidas econômicas que, segundo a organização, colocam em risco os territórios ancestrais dos povos indígenas e camponeses da região.

O CRIC alertou que a administração de De la Espriella busca minar a autonomia das organizações indígenas, somando-se a um conjunto amplo de reivindicações que incluem o aumento do custo de vida, a escalada da violência e o retrocesso de conquistas sociais. A amplitude da aliança entre movimento docente, comunidades originárias e centrais sindicais marcou o tom de uma jornada que se replicou em seis cidades do país.

O estopim imediato dos protestos foi o Decreto 1525, assinado por De la Espriella, que estabelece regras para a atuação das forças de segurança em manifestações e autoriza as autoridades a dispersá-las diante de distúrbios graves. Os governos locais responderam com ampla presença de agentes uniformizados nas principais cidades, o que a oposição interpretou como tentativa de reprimir, de antemão, o direito de manifestação. Os manifestantes enfatizaram o caráter pacífico do protesto, em resposta a alegações difundidas pela Casa de Nariño que buscam deslegitimar as reivindicações da sociedade civil colombiana.

A Fecode, Federação Colombiana de Educadores, saiu em defesa da educação pública e da saúde dos professores, reivindicou a reconstrução de infraestrutura escolar afetada por emergências anteriores no Vale do Cauca e denunciou a estigmatização sofrida pelo sindicalismo docente. A pauta econômica concentrou boa parte do descontentamento, com trabalhadores de diversos setores produtivos nas ruas contra políticas que, segundo os organizadores, corroem direitos adquiridos.

Na mobilização em Bogotá, esperava-se a presença do ex-presidente Gustavo Petro, acompanhado por lideranças progressistas. Os protestos assumem a dimensão de um primeiro grande embate social contra o Executivo colombiano, com centrais sindicais e movimentos populares, entre eles as organizações indígenas, situando o conflito na defesa de conquistas históricas diante de uma agenda que consideram regressiva.


Fonte: Agência Brasil

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Agência Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

Related Posts
Clear Filters

Liderança Munduruku Alessandra Korap relata temor de retrocessos nos direitos indígenas diante da nova maioria de extrema direita no Congresso e relembra confrontos com os governos Bolsonaro e Lula.

A Justiça baiana condenou Josevan Dionísio dos Santos a 28 anos de reclusão como terceiro réu pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete, morta em 2023 após denunciar o tráfico de drogas em seu território.

O Ministério Público Federal negocia com a mineradora Kinross Gold uma indenização de até R$ 1,2 bilhão para cerca de 1,3 mil famílias quilombolas de Paracatu (MG) expulsas há vinte anos para a exploração da mina Morro do Ouro.

O governo federal criou quatro reservas de uso sustentável na Amazônia como contrapartida ao plano de pavimentar a BR-319, mas especialistas alertam que a falta de orçamento para fiscalização ameaça a eficácia da medida.