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Dez experiências mostram povos indígenas recuperando territórios degradados no Brasil

Levantamento da Mongabay reúne dez casos de povos indígenas que restauram florestas, nascentes e territórios degradados por pastagens, garimpo e lixo em diferentes biomas do Brasil.

Nesta reportagem

De Mata Atlântica a Amazônia, comunidades restauram florestas, nascentes e água em terras tomadas por pasto, garimpo e lixo

Um levantamento de reportagens da Mongabay reúne dez iniciativas indígenas de retomada e restauração territorial em diferentes regiões do Brasil. Os casos vão da recuperação de Mata Atlântica pelos Tikmũ’ũn/Maxakali em Minas Gerais ao replantio de araucárias pelos Laklãnõ/Xokleng em Santa Catarina, passando pela expulsão de um grileiro e o fechamento de lixões dentro da Terra Indígena Taquaritiua, no Maranhão, pelos Akroá Gamella, em agosto de 2024.

As experiências combinam saberes ancestrais e tecnologia. No Tocantins, treze mulheres Krahô integram o grupo de vigilância Mē Hoprê Catêjê, que percorre desarmado os 303 mil hectares da Terra Indígena Kraolândia para identificar invasões e denunciá-las à Funai. Na Terra Indígena Yanomami, a Hutukara Associação Yanomami passou a formar jovens Yanomami e Ye’kwana para pilotar drones a partir de 2022, resposta à invasão de 20 mil garimpeiros ocorrida em 2019. Segundo o levantamento, o monitoramento por drone somado às operações de desintrusão do governo Lula reduziu em 91% as áreas de extração de ouro no território.

Outras iniciativas nasceram de tragédias e enfrentam disputas territoriais em curso. Em Mato Grosso, um incêndio de 2018 levou os Bakairi a formar uma brigada voluntária, majoritariamente de mulheres, que soma quatro anos sem grandes incêndios na Terra Indígena Santana. No agreste pernambucano, os Kapinawá disputam o acesso a locais sagrados sobrepostos pelo Parque Nacional do Catimbau enquanto desenvolvem um laboratório de recuperação da Caatinga. No sul da Bahia, uma cooperativa Pataxó recuperou 210 hectares com pau-brasil e outras espécies nativas na Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, com financiamento do BNDES — mas, segundo o material, dos 50 mil hectares já demarcados para o povo naquela área, apenas 9 mil estão efetivamente em suas mãos.

No Maranhão, as Guerreiras da Floresta, grupo formado em 2014 por mulheres Guajajara, atuam na Terra Indígena Caru combinando patrulhas, mapas e drones com educação em escolas e povoados vizinhos. O desmatamento no território, que também abriga os Awá-Guajá, caiu de 2 mil para 63 hectares em dois anos, de acordo com o levantamento. Já o projeto Ywy Ipuranguete, lançado em 2025, prevê apoio à gestão de quinze terras indígenas em cinco biomas, somando cerca de 6 milhões de hectares, com monitoramento, restauração e atividades produtivas — na Terra Indígena Caramuru-Paraguassu, na Bahia, lideranças Pataxó Hã-Hã-Hãe relatam o retorno da onça-pintada após a retomada de antigas fazendas.

O conjunto de casos mostra povos indígenas atuando não apenas na defesa do que resta de seus territórios, mas na recuperação ativa daquilo que foi perdido para pastagens, garimpo e lixo, restabelecendo condições de vida e recompondo a relação cultural e espiritual com a floresta, a água e a fauna.


Fonte: Notícias ambientais

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Notícias ambientais e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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