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Levantamentos mostram 240 candidatos com multas ambientais milionárias nas eleições

Levantamentos da ASCEMA Nacional, da Sumaúma e da Agência Tatu mostram que dezenas de candidatos às eleições de 2026 acumulam multas ambientais milionárias aplicadas pelo IBAMA e pelo ICMBio, com o PL de Flávio Bolsonaro liderando as autuações.

Nesta reportagem

ASCEMA Nacional identifica autuações que somam mais de R$ 213 milhões; Greenpeace defende que histórico ambiental pese na escolha do eleitor

A Associação Nacional dos Servidores de Carreira de Especialista em Meio Ambiente (ASCEMA Nacional) levantou 240 candidatos nas eleições deste ano que possuem pelo menos um auto de infração ambiental válido em seu nome. Somadas, as multas ultrapassam R$ 213 milhões, e os partidos de direita e do Centrão concentram a maior parte dessas candidaturas.

Segundo o g1, apenas 14 candidatos concentram mais de R$ 100 milhões em multas ambientais aplicadas pelo IBAMA e pelo ICMBio nos últimos dez anos, considerando quem acumula individualmente pelo menos R$ 1 milhão em autuações. O perfil predominante entre os multados é o de homens, empresários e profissionais do agronegócio, em municípios do chamado Arco do Desmatamento, no sul e leste amazônicos. Entre os nomes estão candidatos a deputado estadual e federal, ao Senado, ao governo do Pará e suplentes.

Outros levantamentos reforçam o quadro. A Sumaúma identificou 75 candidatos com infrações cometidas na Amazônia, que somam mais de R$ 176 milhões em multas do IBAMA registradas entre 2004 e 2026 — a maioria deles apoia Flávio Bolsonaro. Já a Agência Tatu, em parceria com o Intercept Brasil, apontou que o PL de Flávio Bolsonaro lidera o ranking de candidatos mais autuados em 2026: 13 candidatos do partido acumularam cerca de R$ 6 milhões em multas nos últimos três anos, quase 40% de todas as autuações do IBAMA a candidatos a cargos eletivos neste ano.

Cristiane Mazzetti, coordenadora da frente de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, afirma que o eleitor pode e deve considerar o histórico socioambiental do candidato como informação relevante para sua avaliação. Ela lembra que, para ser declarado inelegível, o candidato precisaria de condenação criminal definitiva ou proferida por órgão colegiado por crime ambiental previsto em lei — o que não é o caso da maioria dos nomes autuados administrativamente. Mazzetti destaca a atenção especial que merecem candidatos à reeleição ligados a bancadas ou partidos com histórico recente de desmonte da legislação ambiental, incluindo as salvaguardas de monitoramento e fiscalização.

O Observatório do Clima também analisou as propostas dos seis candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas eleitorais e constatou que, à exceção de Lula, todos ignoram a urgência da crise climática e ambiental — para Flávio Bolsonaro, segundo a análise, a crise climática sequer existe como pauta. Em ano marcado pelo El Niño mais forte já registrado, que intensifica eventos climáticos extremos, o resultado das urnas neste domingo é apontado como decisivo para a continuidade das políticas de proteção territorial e ambiental no Brasil.


Fonte: ClimaInfo

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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