Revista de jornalismo investigativo indígena Santa Maria (RS)
Apoie
Skip to main content Scroll Top

Mercúrio do garimpo contamina mais de 160 comunidades na bacia do rio Beni

Levantamento da Mongabay com dados de 27 anos de estudos revela que o mercúrio despejado por garimpos de ouro contamina comunidades indígenas e ribeirinhas ao longo do rio Beni, na Bolívia, com níveis até nove vezes acima do limite da OMS.

Nesta reportagem

Levantamento da Mongabay encontra intoxicação confirmada em 39 comunidades indígenas e ribeirinhas na Bolívia e risco em outras 125

Uma investigação da Mongabay, baseada em 39 estudos científicos publicados ao longo de 27 anos, identificou que 39 comunidades indígenas e ribeirinhas da bacia do rio Beni, na Amazônia boliviana, sofrem intoxicação por mercúrio, enquanto outras 125 enfrentam risco semelhante. Os povos Tacana, Leco e Ese Ejja vivem às margens do rio e dependem do peixe como alimento diário, exatamente a via pela qual o metal pesado chega aos seus corpos.

O mercúrio é despejado nos rios por garimpeiros que extraem ouro em localidades como Mapiri, Tipuani, Teoponte, Mayaya e Guanay, rio acima. A substância se acumula nos tecidos de peixes consumidos cotidianamente, como surubim, curimbatá e tucunaré, e chega às comunidades a centenas de quilômetros de distância dos garimpos, segundo Óscar Campanini, diretor do Centro de Documentação e Informação da Bolívia (Cedib). Em algumas comunidades visitadas pela reportagem, os níveis de mercúrio no corpo das pessoas chegam a ser nove vezes superiores ao limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde.

Moradores relatam sintomas como visão prejudicada, dores de cabeça, problemas estomacais e fadiga, mas afirmam que raramente recebem explicações ou tratamento específico. Em Puerto Motor, a corregidora Edith Guzmán Marupa contou que uma comissão médica visitou a comunidade apenas uma vez, em 2019, e distribuiu apenas medicamentos de efeito geral. Um relatório de 2023 da Universidade de Cartagena, do Instituto Seladis da Universidade Maior de San Andrés e do Cedib constatou que nove em cada dez mulheres indígenas em idade fértil na Amazônia boliviana apresentam concentrações de mercúrio acima dos limites seguros.

Para lideranças como Guido Alfaro, presidente da Central de Povos Indígenas de La Paz (CPILAP), a situação expõe um círculo vicioso: as comunidades não têm alternativa alimentar além do peixe, mesmo sabendo que ele está contaminado.


Fonte: Notícias ambientais

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Notícias ambientais e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

Related Posts
Clear Filters

O Amazonas teve 540 focos de incêndio em 48 horas, e o ministro do Meio Ambiente aponta ação humana intencional como causa provável dos focos em áreas florestais de difícil acesso.

Levantamento do MapBiomas revela que o Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa nas margens dos rios em 40 anos, área convertida principalmente em lavouras, pastos e silvicultura.

Áudios obtidos pela Folha de S.Paulo mostram pecuaristas do Pará planejando invadir a Terra Indígena Apyterewa a partir do segundo turno das eleições, caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente.

Ato político em Manaus reuniu lideranças indígenas, acadêmicas e estudantes em defesa da Amazônia e de direitos, em meio a fumaça e calor extremo na cidade.