Espetáculo com o ator Apurinã Yumo Apurinã fica em cartaz na Caixa Cultural de 24 de setembro a 4 de outubro
A Caixa Cultural de Curitiba (PR) recebe, entre 24 de setembro e 4 de outubro, às quintas e sábados, a estreia de uma peça teatral inspirada no pensamento de Ailton Krenak. O espetáculo tem Yumo Apurinã como protagonista, interpretando a si mesmo: um homem do povo Apurinã evangelizado na infância que busca reconectar-se com sua ancestralidade. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do espaço ou pela plataforma Bilheteria Digital.
Segundo João Bernardo Caldeira, diretor da montagem, a peça expõe “a violência fundadora do Estado brasileiro, marcada pela distinção entre corpos considerados civilizados e aqueles historicamente destinados ao apagamento, à expropriação e à morte”. No palco, o protagonista questiona diretamente o público: “Somos mesmo uma humanidade?”
A obra dialoga com a trajetória de Ailton Krenak, líder indígena, ambientalista, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Mineira de Letras. Em 1987, durante a Assembleia Nacional Constituinte, Krenak subiu à tribuna e pintou o rosto de preto em protesto contra retrocessos nos direitos indígenas, gesto que ficou registrado na história da Constituição de 1988 — a chamada Constituição Cidadã, que reconheceu os direitos originários dos povos indígenas e rompeu com a política de tutela até então vigente. Para Caldeira, aquele momento definiu “não apenas um conjunto de direitos, mas a própria possibilidade de os povos indígenas continuarem existindo enquanto povos indígenas”.
Yumo Apurinã relata que a mudança para a cidade trouxe consigo o que descreve como uma “lupa de verificação” constante por parte de pessoas não indígenas: “Você é índio de verdade? Come carne de macaco? Por que não está na sua aldeia?”, diz, reproduzindo perguntas que enfrenta no cotidiano. Para o diretor, peças protagonizadas por pessoas indígenas contando as próprias histórias ajudam a confrontar esse tipo de preconceito.
A sinopse do espetáculo apresenta um indígena nascido na Aldeia Mawanaty, na Amazônia, que busca as raízes de seu povo “sabotadas pela colonização” em um planeta que descreve como devastado por “tiro, boi, cimento e cruz”. Para Caldeira, o teatro tem o papel de preencher de sentido conceitos como “crise climática” e “colonização” antes que se esvaziem: “Não há floresta sem os povos que nela habitam”, afirma.
Fonte: Brasil de Fato
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

