Xikrin, Parakanã, Araweté, Arara e Kayapó cruzam rios e estradas no Pará para votar no segundo turno, temendo invasões em seus territórios
Indígenas de várias etnias do Médio Xingu e do Tapajós viajaram horas e até três dias, de barco, carro, moto e ônibus, para votar no segundo turno da eleição presidencial em Altamira, no Pará, neste domingo. Parakanã, Xikrin, Araweté, Arara e Kayapó deixaram suas aldeias rumo à sede do município, muitos deles votando pela primeira vez na vida. A Casa do Índio, administrada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), recebeu cerca de 200 pessoas desde sábado.
Os relatos colhidos por SUMAÚMA apontam o mesmo motivo para o deslocamento: o temor de que a vitória de Flávio Bolsonaro signifique o retorno de invasores aos territórios e o fim das demarcações. Katoprore Xikrin, da Terra Indígena Trincheira Bacajá, afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ajudou a expulsar invasores de seu território, mas que ainda há gente ocupando a área ilegalmente. Kyxaxexuxa Parakanã, da Terra Indígena Apyterewa, disse que seu povo recebeu mensagens de ameaça de invasores dizendo que pretendem retomar o território em caso de vitória de Bolsonaro, território que já chegou a ter 3 mil invasores e 60 mil cabeças de gado.
A viagem dos eleitores indígenas até as urnas deveria ser garantida pela Justiça Eleitoral, mas, segundo o texto, houve relatos de descumprimento dessa obrigação desde o primeiro turno. Na quinta-feira anterior ao segundo turno, a Justiça Federal determinou que a União custeasse transporte e alimentação para os eleitores indígenas, em resposta a uma ação civil pública do Ministério Público Federal no Pará. Na sexta-feira, porém, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, desautorizou o transporte por órgãos públicos fora de operação aprovada pela Justiça Eleitoral, medida que atrapalhou a mobilização. Ele só reconsiderou a decisão no sábado, após o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, pedir informações sobre o caso.
Mesmo com a liberação, organizadores da logística indígena relataram dificuldades para garantir água e comida aos eleitores em Altamira. Mitã Xipai, um dos responsáveis pela mobilização, afirmou que a Funai não conseguiu garantir alimentação para todos os povos e que a ajuda dependeu de doações. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro venceu em Altamira com 63,25% dos votos válidos, cidade historicamente marcada por conflitos fundiários e pressão sobre terras indígenas.
Para eleitores como Jareakã Araweté, que viajou dois dias de barco com motor rabeta para votar pela primeira vez, a escolha resume o que está em jogo: segundo ele, Lula
Fonte: SUMAÚMA
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de SUMAÚMA e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

