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Cimi liga violência no Nordeste à demora nas demarcações

Relatório do Cimi registra 294 ocorrências de violência contra povos indígenas no Nordeste em 2025, associando o aumento dos casos à demora do Estado em demarcar territórios tradicionais.

Nesta reportagem

Levantamento aponta 294 ocorrências na região em 2025, com Maranhão e Bahia concentrando mais da metade dos casos e assassinato de Pataxó em meio à luta por demarcação

O Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2025, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), registrou 294 ocorrências de violência contra povos indígenas no Nordeste ao longo do ano. Maranhão e Bahia concentram a maior parte dos casos, com 76 registros cada, somando 51,7% do total regional. O levantamento aponta que a violência na região tem um eixo comum: a disputa pela terra e a demora do Estado em regularizar territórios tradicionalmente ocupados.

Em escala nacional, o Cimi contabilizou 1.276 ocorrências de violência contra o patrimônio indígena, sendo 897 casos de omissão e morosidade na regularização de terras. Os conflitos territoriais atingiram 143 Terras Indígenas em 23 estados, e dois terços das áreas afetadas tinham pendências de regularização ou nenhuma providência do Estado para a demarcação. No Nordeste, segundo o relatório, essas dimensões se sobrepõem em uma mesma comunidade: violência contra a pessoa, contra o patrimônio e omissão do poder público caminham juntas.

O caso mais grave do ano ocorreu na Bahia, estado que registrou 19 assassinatos de indígenas. O Pataxó Vitor Braz foi morto a tiros em 10 de março, durante ataque à comunidade Terra à Vista, na Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, em Porto Seguro, na véspera de audiência pública em Brasília sobre a demarcação das terras Pataxó e Tupinambá. Segundo o Cimi, a demora na conclusão do processo demarcatório, identificado pela Funai desde 2008, contribuiu para a intensificação dos conflitos com fazendeiros. A relatora especial da ONU sobre defensores de direitos humanos, Mary Lawlor, pediu responsabilização pelos envolvidos no crime.

Em Pernambuco, com dez assassinatos registrados, a Terra Indígena Kapinawá enfrentou conflitos ligados à instalação de usinas eólicas e a uma tentativa do governo estadual de leiloar 126 hectares ocupados por cerca de 100 famílias indígenas em Buíque, área em processo de revisão demarcatória. No território Pankararu Opará, em Jatobá, posseiros invadiram e depredaram um terreiro sagrado. Em Alagoas, o povo Xukuru Kariri denunciou ataque a tiros contra uma escola indígena em novembro, em meio à espera pela homologação de sua Terra Indígena.

No Maranhão, que também registra alto número de ocorrências, lideranças do povo Memortumré Canela denunciaram expansão de gado dentro de terra já demarcada e homologada, com ameaças de fazendeiros armados. Em outubro, o povo Pyhcop Catiji Gavião denunciou operação da Polícia Civil sem mandado dentro de seu território, que resultou na prisão de dois indígenas. No Piauí, povos como Gueguê do Sangue, Akroá Gamela, Kariri e Tabajara-Ipy enfrentam reconhecimento étnico tardio e avanço da fronteira agrícola sobre territórios ainda não regularizados, segundo o Cimi.


Fonte: cimi.org.br

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de cimi.org.br e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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