Liderança Mẽbêngôkre, com cerca de 90 anos, recebe assistência médica e espiritual em casa da família em Mato Grosso, informa o Instituto Raoni
O cacique Raoni Mẽtyktire tem um adenocarcinoma pouco diferenciado no aparelho digestivo e está sob cuidados paliativos, informa o Instituto Raoni. Com cerca de 90 anos, idade estimada pelos familiares, ele está numa casa da família em Peixoto de Azevedo, cidade de Mato Grosso mais próxima da Terra Indígena Capoto/Jarina, onde nasceu e passou boa parte da vida.
Segundo a nota do instituto, cuidados paliativos não significam abandono de tratamento: a equipe que acompanha o cacique prioriza agora controlar a dor e outros sintomas e preservar a melhor qualidade de vida possível, o que inclui permanecer próximo da família e do povo Mẽbêngôkre, também conhecido como Kayapó. “A possibilidade de estar em casa, cercado por parentes, falando sua língua, recebendo a presença de pessoas próximas e mantendo suas referências culturais faz parte do cuidado”, afirma o instituto.
Raoni é pajé de seu povo, e a dimensão espiritual ocupa lugar fundamental nos cuidados: ele é assistido por pajés de sua confiança e mantém contato permanente com espíritos da mata e ancestrais, práticas que, segundo o instituto, foram decisivas para sua capacidade de recuperação em momentos de risco à vida.
O tumor causou uma obstrução intestinal que levou à transferência do cacique para São Paulo em 19 de junho, quando foi operado no Hospital São Paulo, da Unifesp, pelo médico Franz Robert Apodaca Torrez. A biópsia confirmou o tipo de câncer. Já de volta a Mato Grosso, Raoni teve uma hemorragia digestiva no fim de julho, controlada no Hospital Regional de Peixoto de Azevedo com o apoio dos pajés de sua confiança. O médico Douglas Rodrigues, do Ambulatório de Saúde dos Povos Indígenas da Unifesp, acompanha a saúde do cacique há décadas e ajuda a coordenar a equipe multidisciplinar que hoje o assiste, formada por técnicos de enfermagem, fisioterapeuta, nutricionista e a supervisão da Casa de Saúde Indígena de Peixoto de Azevedo, vinculada ao Distrito Sanitário Especial Indígena Kaiapó de Mato Grosso.
A manutenção dessa estrutura de cuidado é custosa, e o Instituto Raoni recebe doações pelo Fundo de Legado do Cacique Raoni, criado para dar continuidade aos projetos idealizados por ele e sua família, incluindo a proteção do território pelo qual lutou e o fortalecimento da cultura Mẽbêngôkre. Além do câncer, Raoni enfrenta doença pulmonar obstrutiva crônica, hérnia no diafragma, hipertensão, insuficiência cardíaca e usa marcapasso. “Neste momento, nossa prioridade é que o cacique Raoni esteja bem cuidado, confortável e próximo de sua família e de seu povo”, afirma o instituto, que pede respeito à privacidade e às decisões da família.
Fonte: SUMAÚMA
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de SUMAÚMA e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

