Sensores da RedeAr, ligados ao IPAM, registram médias de PM2,5 acima de 30 µg/m³ em setembro, com picos que passam de dez vezes o recomendado
Manaus registra, desde o início de setembro, concentrações de material particulado fino (PM2,5) duas vezes superiores ao limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados são de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que integram a RedeAr, plataforma de sensores de baixo custo instalados em pontos da capital amazonense administrada pela EducAir, da Universidade do Estado do Amazonas.
Os sensores registraram média superior a 30 µg/m³ de PM2,5 em setembro, enquanto a OMS recomenda até 15 µg/m³ na média diária e 5 µg/m³ na média anual. No dia 23, houve picos acima de 160 µg/m³ — mais de dez vezes o limite recomendado. Segundo os pesquisadores, a alta está associada à fumaça das queimadas que cobre a cidade desde o começo do mês. Em nota técnica de março de 2026, o IPAM já havia apontado o Amazonas como o quarto estado mais afetado pela poluição atmosférica com base nas diretrizes da OMS.
Newton Monteiro, analista de pesquisa do IPAM, explica que o fogo se concentra em pontos ao longo do Rio Amazonas, incluindo áreas próximas ao Encontro das Águas, e no eixo da BR-319, formando grandes colunas de fumaça. Ele afirma que, em condições normais, os ventos predominantes dispersam a fumaça para o Peru, mas o episódio de El Niño em curso desde meados de 2026 alterou o padrão de circulação atmosférica e passou a favorecer o transporte da fuligem diretamente para Manaus e municípios vizinhos.
Embora a área queimada no Amazonas tenha caído 26% entre janeiro e agosto de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, municípios próximos à capital registraram aumentos expressivos. Em Manacapuru, a menos de 100 quilômetros de Manaus, as queimadas atingiram cerca de 2 mil hectares entre janeiro e agosto, 293% a mais que no mesmo período de 2025. Em Iranduba, a menos de 40 quilômetros da capital, o aumento chegou a 212%, segundo o Monitor do Fogo, do MapBiomas.
De acordo com o IPAM, o PM2,5 é um dos principais componentes da fumaça das queimadas e pode penetrar profundamente nos pulmões e chegar à corrente sanguínea, com efeitos associados a irritações respiratórias, agravamento de doenças pulmonares e cardiovasculares e maior risco de câncer de pulmão. Em 2025, o Amazonas já havia registrado 67 dias com concentrações acima de 15 µg/m³ e média anual de 10,67 µg/m³, mais que o dobro do limite estabelecido pela OMS. Crianças, gestantes, pessoas idosas e povos indígenas estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica.
Fonte: ((o))eco
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ((o))eco e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

