Festival exibe 60 filmes, incluindo produções sobre garimpo no Tapajós, Belo Monte e petróleo na Amazônia equatoriana, e provoca pergunta sobre autoria indígena das imagens
A 15ª edição do Filmambiente reúne 60 filmes em programação presencial e online, com destaque para produções que colocam territórios indígenas e amazônicos no centro da narrativa: Xingu, Nosso Rio Sagrado, Viver Bem: ñtse canseye, Kopenawa: Sonhar a Terra-Floresta e Katô: Sonhos da Terra Escura. Segundo a curadoria do festival, povos indígenas e comunidades historicamente colocadas à margem passam a ocupar o centro da imagem, da escuta e do tempo nos filmes selecionados.
Em Katô: Sonhos da Terra Escura, a câmera chega a Sawré Muybu, na bacia do Tapajós, onde o povo Munduruku enfrenta há décadas a contaminação da água por mercúrio proveniente do garimpo ilegal. De acordo com a sinopse do filme, a contaminação não afeta apenas a água: perturba também a memória ancestral que une o povo Munduruku ao rio e ao território.
Kopenawa: Sonhar a Terra-Floresta, de Marco Altberg e Tainá De Luccas, tem como centro Davi Kopenawa Yanomami, xamã e uma das principais lideranças indígenas na defesa da Amazônia. Segundo o catálogo do festival, o documentário constrói, a partir de imagens de arquivo, um olhar sobre a ancestralidade e os desafios enfrentados pelo povo Yanomami. Já Xingu, Nosso Rio Sagrado, de Angela Gomes, acompanha os impactos da barragem de Belo Monte, no Pará, sobre o rio Xingu e sobre comunidades indígenas e ribeirinhas.
Viver Bem: ñtse canseye, de Zoé Nathalie Kugler, desloca o olhar para a Amazônia equatoriana, onde a exploração de petróleo contamina terra e água e ameaça culturas tradicionais. O curta acompanha treze mulheres que enfrentam essa destruição por meio de diferentes formas de resistência. Os quatro filmes, juntos, expõem geografias e conflitos distintos — garimpo, barragem, petróleo — que revelam uma mesma lógica de transformação de territórios vividos em recursos para exploração.
A programação do Filmambiente reabre uma discussão que atravessa o cinema sobre povos indígenas: quem filma, quem produz, quem decide o que é mostrado e quem controla a circulação dessas imagens. O catálogo do festival não detalha como cada comunidade participou das decisões de produção, fotografia e montagem dos filmes exibidos, o que mantém em aberto a diferença entre cinema feito sobre, com ou por povos indígenas.
Fonte: amazonialatitude.com
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de amazonialatitude.com e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

