Festa tradicional se torna também ato político do povo Borari, que luta pela demarcação de suas terras na região de Alter do Chão, no Pará
O povo Borari, de Alter do Chão, distrito de Santarém, no oeste do Pará, utiliza o Sairé, uma das maiores festas tradicionais da Amazônia, como espaço de afirmação da luta pela demarcação de seu território, segundo reportagem da jornalista Tainá Rionegro para a Amazônia Real.
O Sairé é uma celebração de origem indígena que mistura elementos religiosos, culturais e identitários, reunindo milhares de pessoas em Alter do Chão todos os anos. Para o povo Borari, a festa não é apenas manifestação cultural: é também instrumento de visibilidade política em um contexto de disputa territorial não resolvida.
A demarcação de terras indígenas é um processo administrativo conduzido pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) que reconhece oficialmente os limites de territórios tradicionalmente ocupados por povos originários. Sem a conclusão desse processo, comunidades como a dos Borari permanecem vulneráveis a pressões externas sobre suas terras, incluindo especulação imobiliária e turística, já que Alter do Chão é um destino turístico conhecido nacional e internacionalmente.
A autora da reportagem, Tainá Rionegro, é jornalista manauara formada pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e mestra em Antropologia Social pela Universidade de Brasília (UnB), com formação também em cinema documental pela Universidad de La Habana, em Cuba. Ela atua com foco em povos e comunidades tradicionais, direitos territoriais, justiça climática e cultura na Amazônia, articulando em sua produção uma perspectiva decolonial que conecta memória, território e experiências vividas à narrativa jornalística.
A publicação integra o trabalho da Amazônia Real, veículo de jornalismo investigativo independente que tem como proposta visibilizar populações historicamente silenciadas na cobertura da região amazônica.
Fonte: Amazônia Real
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Amazônia Real e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

