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Clima extremo pressiona agricultura familiar no Rio Grande do Sul

Enchentes, estiagens e ondas de calor consecutivas no Rio Grande do Sul reduzem produção e renda da agricultura familiar e ameaçam a permanência de famílias no campo, segundo dados da Emater e relatos de produtores e sindicalistas.

Nesta reportagem

Enchentes e estiagens consecutivas afetam centenas de milhares de propriedades gaúchas e ameaçam a permanência das famílias no campo

No Rio Grande do Sul, famílias de agricultura familiar enfrentam uma sucessão de eventos climáticos extremos que já compromete a produção e a própria permanência na terra. Segundo a Emater/RS-Ascar, as enchentes de maio de 2024 atingiram mais de 206 mil propriedades rurais em 456 municípios, a estiagem de 2024/2025 afetou mais de 205 mil propriedades em 310 municípios, e em julho deste ano outro evento atingiu cerca de 30 mil propriedades em 101 municípios.

O produtor de leite Michel de Pive relata que o clima ficou “muito mais imprevisível”, com estiagens prolongadas seguidas de chuvas intensas em pouco tempo, além de ondas de calor que prejudicam os animais. “Se falta pasto e água, a produção de leite cai”, afirma. Para a extensionista rural da Emater, Thaís Michel, a propriedade da agricultura familiar é ao mesmo tempo moradia, trabalho e fonte de renda, o que faz o impacto de cada desastre ultrapassar a perda de uma safra isolada.

Os números levantados pela Emater mostram a dimensão do problema: durante a estiagem de 2024/2025, a produtividade da soja caiu em média 38,44% nas áreas avaliadas, as perdas em pastagens chegaram a cerca de 40%, e a produção de leite teve redução estimada de 61,39 milhões de litros, afetando mais de 15 mil produtores. Em maio de 2024, mais de 4.500 comunidades rurais tiveram dificuldades para escoar a produção.

Douglas Cenci, presidente da Fetraf-RS, aponta que os eventos climáticos agravaram uma situação financeira que já pressionava os agricultores, reduzindo a capacidade de investimento e aumentando a dependência do crédito. A entidade defende renegociação de dívidas, seguro agrícola, assistência técnica e investimentos em infraestrutura. Cenci alerta que, se o cenário dos últimos anos se repetir, pode haver “um grande volume de falências e de êxodo dos agricultores familiares”, com perda de conhecimento e diversidade produtiva quando famílias deixam o campo.

Um estudo de 2025 publicado na Revista de Política Agrícola, da Embrapa, que analisou 88 estudos científicos sobre mudanças climáticas e produção de alimentos no Brasil, projeta possíveis perdas de 20% na produtividade do arroz e de 10% na soja, com o Rio Grande do Sul entre os estados mais afetados. Diante do quadro, agricultores como Michel já adaptam práticas — reserva de alimento, cuidado do solo e diversificação —, enquanto a Fetraf-RS cobra políticas públicas capazes de financiar essa transformação e garantir que permanecer na terra siga sendo possível para as próximas gerações.


Fonte: Brasil de Fato

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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