Revista de jornalismo investigativo indígena Santa Maria (RS)
Apoie
Skip to main content Scroll Top

Bancada anti-indígena mantém tamanho no Congresso, mas fica mais radical após eleições de 2026

Análise do Cimi com base na plataforma Congresso Anti-Indígena mostra que, após as eleições de 2026, o bloco contrário aos direitos indígenas manteve o tamanho no Congresso, mas ficou mais concentrado em partidos radicalmente anti-indígenas como PL, Novo e Republicanos.

Nesta reportagem

Levantamento da plataforma Congresso Anti-Indígena mostra que PL, Novo e Republicanos cresceram dentro do bloco contrário aos povos originários

A bancada anti-indígena no Congresso Nacional manteve o mesmo número de parlamentares após as eleições de 2026 – 448 dos 594 assentos no Senado e na Câmara –, mas sua composição interna se tornou mais radical, segundo análise divulgada pelo Cimi com base em dados da plataforma Congresso Anti-Indígena (CAI). O levantamento reuniu 110 votações nominais e 41,9 mil votos registrados entre 2019 e 2026 nas duas últimas legislaturas.

Dentro do bloco contrário aos direitos indígenas, os partidos classificados como mais consistentes nessa posição – PL, Novo e Republicanos, que deram mais de 90% de seus votos contra os povos originários – ampliaram suas bancadas em 24%, somando 208 parlamentares nas duas Casas, contra 168 antes das eleições. O PL, partido do candidato à presidência Flávio Bolsonaro, é o que acumula o maior número total de votos contrários aos povos indígenas: 6.375 votos nominais, equivalentes a 96% do total do partido no período analisado.

No Senado, a bancada anti-indígena cresceu de 63 para 65 dos 81 assentos, mas o avanço do PL (de 16 para 28 senadores) e do Novo (de um para três) ocorreu às custas de partidos como PSDB, União Brasil, PP, Podemos, PSD, MDB e Avante, que caíram de 40 para 29 cadeiras. Na Câmara, a proporção geral entre partidos majoritariamente contrários e favoráveis aos povos indígenas quase não mudou, mas o PL saltou de 97 para 121 deputados e o Novo, de cinco para dez.

Do lado oposto, os partidos que deram quase 100% de seus votos a favor dos povos indígenas – PT, PSOL, PCdoB e Rede – também ganharam espaço, passando de 101 para 106 parlamentares somadas as duas Casas, enquanto PSB, PDT e PV, historicamente menos consistentes nessa pauta, perderam assentos. PSOL, Rede e PDT não atingiram a cláusula de barreira nas eleições de 2026, o que pode gerar restrições a financiamento e atuação parlamentar caso não recomponham suas bancadas.

O levantamento destaca o caso do PL 490/2007, convertido na Lei 14.701 em 2023 e que ataca diretamente os direitos territoriais indígenas, além do PDL 717/2024 e da PEC 48/2023, que tentam consolidar no Congresso a tese do marco temporal. Segundo a análise, ambas as propostas já foram aprovadas no Senado e tramitam na Câmara, num cenário em que a direita tradicional, o chamado “centrão”, converge cada vez mais com a extrema direita no desmonte dos direitos constitucionais dos povos originários.


Fonte: cimi.org.br

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de cimi.org.br e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

Related Posts
Clear Filters

Estudo publicado na revista Earth’s Future aponta a Amazônia como a região mais vulnerável a um novo padrão de seca e calor extremos que pode se repetir e se agravar nas próximas décadas caso as emissões globais não diminuam.

Levantamento do Joio e o Trigo mostra que o programa de governo de Flávio Bolsonaro prevê demarcação zero de Terras Indígenas e liberação de plantio comercial nesses territórios, repetindo o modelo do governo de Jair Bolsonaro.

A ANP arrematou 49 blocos de petróleo, incluindo áreas na Amazônia e no pré-sal, em leilão que o ClimaInfo e a pesquisadora Carolina Marçal criticam por aprofundar a dependência fóssil em plena emergência climática.

A multiartista indígena Posada lança o videoclipe “Madrugada”, gravado em Belém, e realiza oficinas de discotecagem em espaços comunitários de Porto Alegre, dando continuidade ao álbum “Flecha Envenenada”.