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Cerrado perde 13,9 milhões de hectares de vegetação nas margens dos rios em 40 anos

Levantamento do MapBiomas revela que o Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa nas margens dos rios em 40 anos, área convertida principalmente em lavouras, pastos e silvicultura.

Nesta reportagem

Levantamento do MapBiomas mostra que agronegócio e silvicultura avançaram sobre faixas ciliares do bioma, ameaçando a ‘caixa-d’água’ do Brasil

O Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa nas margens dos rios entre 1985 e 2025, uma redução de 27,6% em quatro décadas. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (8) pelo MapBiomas, rede de organizações que mapeia as mudanças no uso do solo no Brasil. A área devastada equivale ao tamanho do estado do Amapá e engloba faixas de até 500 metros dos rios e de outros cursos d’água, independentemente de sua largura.

Segundo o estudo, mais de um quarto (26,9%) de toda a perda líquida de vegetação nativa registrada no Cerrado no período aconteceu no entorno dos rios. A maior parte dessas áreas foi convertida em lavouras e pastos para gado. “A vegetação nativa mantém o solo no lugar, reduzindo a erosão e o transporte de sedimentos, mas também contribui para diminuir os processos de assoreamento, que é a entrada de sedimentos dentro do rio”, explicou Bárbara Costa, analista de pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e integrante da equipe Cerrado do MapBiomas, em entrevista à Mongabay.

O Cerrado é considerado a caixa-d’água do Brasil: seus rios e nascentes contribuem para oito das doze grandes bacias hidrográficas do país, além de abrigar a savana mais biodiversa do mundo. “O que acontece no Cerrado pode repercutir para além dos seus limites territoriais”, afirma Costa. Segundo a pesquisadora, o assoreamento dos rios da região pode reduzir a quantidade de água que chega às grandes cidades do país e a outros biomas. “Quando a gente tem o avanço do desmatamento em algumas nascentes do Cerrado, isso acaba reduzindo o fluxo de água e aumentando o risco de incêndios no Pantanal, por exemplo”, diz ela.

De acordo com o levantamento, as bacias mais afetadas pelo desmatamento nas margens dos rios são a do Alto Tocantins, que perdeu 2,9 milhões de hectares de vegetação nativa, e a bacia do Araguaia, que perdeu 2,7 milhões de hectares.

O Cerrado já perdeu metade de sua vegetação original, grande parte dela para o agronegócio. A área de agropecuária mais do que dobrou desde 1985, passando de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares em 2025. Chama atenção também o crescimento da silvicultura na região, com aumento de 511% no período: a atividade, que em 1985 ocupava 600 mil hectares, já cobria 3,9 milhões de hectares do Cerrado em 2025.


Fonte: Notícias ambientais

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Notícias ambientais e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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