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Livro inédito ensina comunidades da Amazônia a combater incêndios agravados pelo El Niño

Pesquisadora Erika Berenguer coordena um conjunto de livros feitos com brigadistas indígenas e ribeirinhos para orientar o combate a incêndios florestais na Amazônia diante de um El Niño que pode superar o recorde de queimadas de 2024.

Nesta reportagem

Pesquisadora Erika Berenguer lidera obra com 60 autores, entre eles indígenas e ribeirinhos, para enfrentar temporada de fogo mais intensa que a de 2024

Pesquisadora das universidades de Oxford e Lancaster, Erika Berenguer lidera a produção de um conjunto de quatro livros com orientações de combate a incêndios florestais voltadas especificamente para a Amazônia. Os materiais, lançados em turnê pelo Baixo Tapajós em agosto de 2026, reúnem 60 autores — a maioria brigadistas e voluntários, incluindo pessoas indígenas — além de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e representantes do Ministério do Meio Ambiente. Em setembro de 2026, a Amazônia já registrou 12.562 focos de calor, 74% a mais que no mesmo mês de 2025, em meio a um El Niño que a Organização Meteorológica Mundial prevê agravar-se até novembro.

Segundo Berenguer, o El Niño reduz as chuvas trazidas pelos ventos alísios e deixa a floresta mais quente, seca e inflamável. A pesquisadora afirma que, como o fenômeno atual vem logo após o El Niño de 2023 e 2024 — que provocou recorde de incêndios na Amazônia brasileira —, a floresta teve pouco tempo para se recuperar. Ela explica que, depois de um incêndio, a mortalidade das árvores maiores pode chegar a 50%, o que deixa mais material inflamável disponível e altera o comportamento do fogo, tornando-o mais intenso e difícil de combater.

Indígenas e comunidades ribeirinhas têm organizado dezenas de brigadas voluntárias para proteger seus territórios contra incêndios acidentais e criminosos. Berenguer afirma que a maioria desses grupos nasceu em resposta direta ao aumento da ameaça: no Baixo Tapajós, a primeira brigada voluntária surgiu em 2019, e hoje já são 18, reunidas na Rede de Brigadas do Baixo Tapajós, criada para agir antes que o fogo saia de controle, o que costuma ocorrer em 48 horas. A pesquisadora relata que, embora essas brigadas tenham menos equipamentos que as oficiais, hoje já contam com itens de proteção individual — diferentemente de anos anteriores, quando via voluntários enfrentando o fogo de chinelo e cobrindo o rosto com camisetas.

De acordo com Berenguer, o Brasil contratou 4 mil bombeiros profissionais desde 2023 e ampliou treinamento e equipamentos, incluindo drones e quadriciclos, mas ela teme que isso ainda não seja suficiente diante da magnitude do El Niño atual. A pesquisadora cita estudos segundo os quais a fumaça de incêndios florestais aumenta o risco de doenças respiratórias, câncer e aborto espontâneo em gestantes, podendo ser sentida a centenas de quilômetros de distância — como ocorreu em Santarém, que registrou a pior qualidade do ar do mundo por três dias seguidos entre 2023 e 2024.

O guia, segundo Berenguer, nasceu da constatação de que os manuais existentes, voltados para o Brasil como um todo, baseiam-se em experiências de biomas como o Cerrado e o Pantanal, que não correspondem ao comportamento do fogo em floresta úmida. O material divide o conteúdo em quatro tipos de floresta, incluindo áreas degradadas por incêndios anteriores, e está disponível também em áudio, narrado pelos próprios autores, para alcançar comunidades que preferem ouvir a ler.


Fonte: SUMAÚMA

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de SUMAÚMA e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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