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Agropecuária já ocupa 30,5% do entorno de terras protegidas na Amazônia

Levantamento do MapBiomas revela que a agropecuária avança sobre 30,5% dos territórios no entorno de Terras Indígenas, Quilombolas e Unidades de Conservação na Amazônia, impulsionada pela proximidade de estradas.

Nesta reportagem

Levantamento do MapBiomas mostra que estradas facilitam avanço da atividade sobre áreas no entorno de Terras Indígenas, Quilombolas e Unidades de Conservação

A agropecuária ocupava, em 2025, 30,5% dos territórios próximos a áreas protegidas da Amazônia, incluindo Terras Indígenas, territórios quilombolas e Unidades de Conservação. Os dados são da Coleção 11 do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (14), que reúne informações sobre cobertura e uso da terra no Brasil entre 1985 e 2025.

Segundo o levantamento, a agropecuária ocupava 65,2 milhões de hectares na Amazônia em 2025, dos quais 13,6 milhões de hectares estão no entorno de locais onde a legislação protege a vegetação nativa. O estudo aponta ainda que a proximidade de estradas é um fator decisivo na pressão sobre essas áreas: dos 157 milhões de hectares existentes a até 5 km dos 618 mil km de vias mapeadas, 40,2% já são ocupados pela agropecuária, o equivalente a 63 milhões de hectares, ou mais de 96% de toda a área ocupada pela atividade no bioma. Quanto maior a distância das vias, menor a presença da agropecuária, que cai para 26,7% do território.

O pesquisador do Imazon Bruno Ferreira, que integra a equipe do MapBiomas Amazônia, afirma que essa forma de ocupação ameaça a conservação do bioma. Segundo ele, as estradas facilitam o acesso a áreas de vegetação nativa, favorecendo processos de ocupação e conversão da terra, inclusive no entorno e no interior das áreas protegidas, onde a pressão pode se refletir na expansão da agropecuária, da mineração e de outras atividades que modificam a cobertura da terra. Conforme o estudo, em 41 anos a agropecuária cresceu 561% no entorno das áreas protegidas da Amazônia.

O levantamento também atualiza os números do desmatamento na Amazônia em 2025, quando foram registrados 693 mil hectares desmatados, o menor valor da série histórica. Ainda assim, 639 mil hectares desse total ocorreram em vegetação primária, isto é, em áreas que permaneciam intocadas. Entre 1985 e 2025, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa, resultando em 74,6 milhões de hectares antropizados no bioma, sendo a formação florestal o tipo de vegetação mais afetado, com perda de 49,7 milhões de hectares.

Ao final de 2025, a agropecuária ocupava 15,5% do território amazônico, em uma área de 65,3 milhões de hectares, dos quais 50,8 milhões são pastagens e 8,6 milhões são de agricultura. A mineração, por sua vez, ocupa hoje 440 mil hectares no bioma, uma área 14 vezes maior do que os 32 mil hectares registrados no início da série histórica, em 1985.


Fonte: Agência Brasil

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Agência Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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