MapBiomas aponta queda histórica no desmate de 2025, mas registra crescimento de 561% da agropecuária no entorno de Terras Indígenas e Unidades de Conservação desde 1985
A Amazônia registrou 693 mil hectares de desmatamento em 2025, o menor índice de toda a série histórica iniciada em 1985, segundo levantamento divulgado pelo MapBiomas com base na Coleção 11. Do total desmatado, 639 mil hectares (92%) eram de vegetação primária e 54 mil hectares de vegetação secundária, já modificada por ação humana – o menor patamar de destruição de vegetação nativa já registrado no bioma.
Bruno Ferreira, pesquisador do Imazon e do MapBiomas, associa a queda à retomada de políticas públicas de controle ambiental. “A redução observada nos últimos anos ocorre em um contexto de retomada e fortalecimento das políticas de prevenção e controle, com ações de fiscalização, monitoramento por satélite e ordenamento territorial”, afirmou, em referência às ações do governo Lula. O resultado segue a mesma tendência de queda já apontada pelo PRODES, índice oficial de desmatamento do INPE.
Mas o levantamento do MapBiomas expõe uma pressão persistente sobre as Áreas Protegidas da Amazônia, que incluem Terras Indígenas, Unidades de Conservação e territórios quilombolas. A agropecuária cresceu 561% desde 1985 no entorno dessas áreas e hoje ocupa 31% dessa faixa territorial. No bioma como um todo, a atividade já ocupava 65,2 milhões de hectares em 2025.
A expansão da agropecuária está diretamente ligada à presença de estradas. A Amazônia soma 618 mil quilômetros de vias oficiais e clandestinas, das quais quase 42 mil km cruzam Áreas Protegidas. Nos 157 milhões de hectares situados a até 5 quilômetros dessas estradas, a agropecuária ocupa 40,2% do território – 63 milhões de hectares, área maior que Minas Gerais. Quanto mais distante das vias, menor a presença da atividade, que cai para 26,7% nessas regiões.
O dado reforça o risco de projetos como o asfaltamento da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, para a conservação do bioma e a integridade dos territórios indígenas. “As estradas facilitam o acesso a áreas de vegetação nativa, favorecendo processos de ocupação e conversão da terra. No entorno e no interior das Áreas Protegidas, essa pressão pode se refletir na expansão da agropecuária, da mineração e de outras atividades que modificam a cobertura e o uso da terra”, alertou Ferreira.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

