Revista de jornalismo investigativo indígena Santa Maria (RS)
Apoie
Skip to main content Scroll Top

Justiça dá 24 horas para União garantir transporte a eleitores indígenas

Decisão judicial de 24 horas obriga a União a garantir transporte e alimentação a eleitores indígenas em todo o país, após omissão da Justiça Eleitoral e risco de abstenção de até 50% no Vale do Javari.

Nesta reportagem

Decisão nacional responde à omissão da Justiça Eleitoral e fixa multa diária de 1 milhão de reais em caso de descumprimento

A juíza federal Maria Carolina Valente do Carmo determinou nesta quinta-feira, 22 de outubro, que o governo federal tenha 24 horas para adotar todas as providências necessárias para que eleitores indígenas de todo o país consigam chegar às seções eleitorais e votar no segundo turno, no domingo, 25. A decisão fixa multa diária de 1 milhão de reais em caso de descumprimento sem justificativa.

A decisão determina que a União garanta e custeie transporte gratuito fluvial, terrestre ou aéreo, além de alimentação, e ofereça apoio financeiro e logístico emergencial a prefeituras para viabilizar combustível e embarcações. A Justiça Eleitoral, responsável por esses deslocamentos, vinha descumprindo essa obrigação, segundo a decisão. A articulação deve envolver a Funai, a Sesai, os Dseis, as Forças Armadas e a Polícia Federal. O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que a equipe técnica do ministério já mapeava locais com dificuldade logística e alta abstenção.

A decisão responde a uma ação civil pública do Ministério Público Federal no Pará, apresentada na quarta-feira, 21, que também pede a criação de um Plano Nacional de Acessibilidade Logística e Linguística Eleitoral Indígena. A ação cita os povos Araweté, Arara, Xikrin, Parakanã e Munduruku, com relatos de que a distância até as urnas e a falta de transporte impediram o voto — os Parakanã precisam navegar mais de dez horas para votar. Um levantamento de SUMAÚMA apontou que mais de 70% das Terras Indígenas do país não recebem seção eleitoral.

No Vale do Javari, Amazonas, a situação é crítica. A juíza eleitoral Dálethe Borges Messias negou, na terça-feira, 20, pedido da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) para garantir transporte fluvial, alimentação e água a 43 aldeias dos povos Kanamari, Korubo, Kulina, Marubo, Matis e Mayuruna, alegando falta de tempo hábil e de orçamento do TRE-AM. Para o procurador jurídico da Univaja, Eliesio Marubo, sem apoio a abstenção na região pode chegar a 50% dos eleitores, agravada pelos efeitos do El Niño sobre a navegabilidade dos rios.

Diante da repercussão, houve reunião em Atalaia do Norte com a juíza, representantes do TRE, a Univaja, a Funai e o Ministério Público Eleitoral, com promessa da prefeitura de enviar combustível às comunidades. A Univaja e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) repudiaram a negativa do TRE-AM e cobraram que o direito ao voto deixe de depender de reivindicação a cada eleição.


Fonte: SUMAÚMA

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de SUMAÚMA e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

Related Posts
Clear Filters

Sete organizações regionais da APIB divulgaram carta ao fim de seminário em Luziânia (GO) rejeitando a mineração em terras indígenas e a separação entre solo e subsolo, e reivindicando a demarcação de todos os territórios até 2030.

SUMAÚMA lança neste domingo dois mapas interativos que cruzam o resultado do segundo turno presidencial nos 773 municípios da Amazônia Legal com dados de desmatamento, agronegócio e abstenção eleitoral indígena.

Rede Cerrado e Movimento Negro Unificado cobram no TSE e na PGR providências para o deslocamento de eleitores indígenas e quilombolas no segundo turno, após o TRE-AM negar transporte à Univaja no Vale do Javari.

Reportagem de SUMAÚMA mostra que Flávio Bolsonaro mantém proximidade com nomes condenados ou investigados por garimpo ilegal em terras indígenas, em meio a promessas de afrouxar fiscalização ambiental.