Relatório aponta 710 mil mortes por calor em 2023, das quais 70% atribuíveis às mudanças climáticas, enquanto energia limpa evita centenas de milhares de óbitos
A crise climática se transformou em uma emergência global de saúde, aponta a nova edição do relatório Lancet Countdown, publicado nesta semana pela revista médica The Lancet, com pesquisadores liderados pelo University College London em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o documento, a média anual de mortes relacionadas ao calor cresceu quase 36% nos anos seguintes à assinatura do Acordo de Paris, em 2015, na comparação com a década anterior. Somente em 2023, o calor foi associado à morte de 710 mil pessoas no mundo, das quais mais de 70% são atribuíveis à crise climática.
Entre 2016 e 2023, as mudanças climáticas causaram quase 3 milhões de mortes por calor, segundo o relatório. Na média anual desse período de oito anos, foram cerca de 540,8 mil mortes relacionadas ao calor, das quais 68% causadas pela crise climática — participação que era de 55% entre 2006 e 2015. O documento também mostra que a seca extrema atingiu quase 52% da superfície terrestre global por pelo menos um mês em 2025, e que, desde 2003, 80% da superfície da Terra enfrenta mudanças significativas nos padrões de armazenamento de águas subterrâneas, com impactos diretos na segurança alimentar.
O relatório destaca que muitos danos à saúde relacionados ao clima avançam mais rápido do que a resposta global a eles. O agravamento das secas, o aumento da exposição a eventos hidrológicos extremos e as perdas econômicas ligadas ao calor intensificaram as ameaças à saúde pública na última década, segundo os pesquisadores.
Por outro lado, o estudo aponta ganhos concretos trazidos pela transição energética. Investimentos recordes em fontes renováveis — US$ 2,1 trilhões (R$ 11,3 trilhões) no ano passado — permitiram melhorias na qualidade do ar pela redução da queima de combustíveis fósseis, o que evitou cerca de 323 mil mortes por ano em pelo menos 77 países. O relatório também identifica avanços em sistemas de saúde resilientes ao clima, com mais planos nacionais de adaptação e sistemas de alerta precoce, mas reforça a necessidade de ações adicionais para reduzir a vulnerabilidade de comunidades e sistemas de saúde, sobretudo nos países mais pobres.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

