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APIB cobra de Lula demarcação de 73 terras e fim da violência eleitoral

A APIB enviou carta a Lula cobrando proteção imediata contra ataques a indígenas no período eleitoral e a demarcação de 73 Terras Indígenas ainda em 2026, além de pedir participação direta do movimento nas decisões do próximo governo.

Nesta reportagem

Em carta ao presidente reeleito, movimento indígena pede reunião urgente e denuncia mais de 30 casos de violência durante as eleições de 2026

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e suas sete organizações regionais enviaram nesta quinta-feira (29) uma carta ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva cobrando medidas urgentes contra a violência registrada durante o período eleitoral e o avanço, ainda em 2026, da demarcação de 73 Terras Indígenas já declaradas pelo governo federal.

O documento denuncia mais de 30 casos de violência contra povos indígenas levantados pela APIB durante o processo eleitoral de 2026, com destaque para os assassinatos e ameaças de morte sofridos pelo povo Guarani e Kaiowá após o segundo turno. A articulação formalizou as denúncias junto ao Ministério Público Federal e a órgãos do governo federal, e na carta reforça o pedido por proteção imediata às comunidades ameaçadas e investigação dos crimes.

A APIB solicita ainda uma reunião com Lula para apresentar o projeto político Nosso Território, Nossa Vida e discutir a participação direta das organizações indígenas nas decisões do próximo governo, desde o período de transição. A organização reivindica voz na escolha das pessoas responsáveis pelas políticas indígenas, respeito à autonomia do movimento e orçamento compatível com as necessidades dos territórios.

A carta apresenta a conclusão das 73 demarcações pendentes como possível legado histórico da gestão Lula e homenagem em vida ao cacique Raoni Metuktire, além dos anciãos e anciãs que dedicaram a vida à defesa dos territórios. A APIB reafirma também o compromisso de demarcar e proteger todas as Terras Indígenas até 2030, vinculando essa meta à resposta do Brasil à emergência climática, agravada pelo risco de um super El Niño.

A articulação defende a manutenção das Terras Indígenas livres de mineração, inclusive de minerais classificados como críticos e estratégicos, e manifesta preocupação com ofensivas no Congresso Nacional contra direitos originários, em especial as iniciativas ligadas ao marco temporal. A APIB cobra atuação firme do governo em defesa dos direitos constitucionais e estende a urgência da proteção territorial a quilombolas, unidades de conservação, comunidades tradicionais e assentamentos de reforma agrária. “Para nós, a soberania brasileira está profundamente ligada à proteção dos territórios indígenas”, diz trecho da carta.


Fonte: APIB

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de APIB e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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