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Servidores da prefeitura de Tacuru são afastados por ameaçar envenenar Guarani-Kaiowá

Dois servidores da prefeitura de Tacuru (MS) foram afastados após ameaçarem envenenar a água de indígenas Guarani-Kaiowá na aldeia Sassoró, caso agora investigado pela Polícia Federal e pelo MPF.

Nesta reportagem

Após reeleição de Lula, áudios com ameaças de envenenamento contra aldeia Sassoró, no MS, levam a investigação da PF e do MPF

A prefeitura de Tacuru, no Mato Grosso do Sul, afastou por 20 dias dois servidores municipais após eles ameaçarem envenenar a água consumida por indígenas Guarani-Kaiowá na aldeia Sassoró. As ameaças circularam em áudios de grupos de WhatsApp logo depois da confirmação da reeleição do presidente Lula, segundo denúncias da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) enviadas ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Nos áudios, vozes diziam frases como “quem votou no PT foram só os índios” e defendiam colocar veneno na água para “matar essas pragas”. O caso é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF), que também confirmou a abertura de processos administrativos disciplinares contra os servidores.

Para o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Apib e a Aty Guasu — a Grande Assembleia do Povo Guarani e Kaiowá, organizada desde 1970 —, as medidas tomadas pela prefeitura são insuficientes diante da gravidade e da recorrência da violência contra os Guarani-Kaiowá no estado. Matias Benno Rempel, coordenador do Cimi no Mato Grosso do Sul, afirmou que a ameaça de envenenamento “não é só racismo verbal, não é só uma mensagem de ódio”, mas remete a táticas concretas já usadas contra povos indígenas no estado. Segundo ele, é preciso investigar a origem da violência e responsabilizar criminalmente os envolvidos.

As denúncias feitas pela Apib e pelo Cimi não se limitam ao episódio de Sassoró. Também foram relatados assassinatos, atropelamentos, ataques e o incêndio da casa de Ñandesy Roberta, liderança espiritual Guarani-Kaiowá de 90 anos, na aldeia Jaguapiré, também em Tacuru. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) classificou os relatos como “extremamente preocupantes” e citou “possíveis manifestações de discriminação e incitação ao ódio contra os povos indígenas”.

Diante do aumento de denúncias após o segundo turno das eleições presidenciais, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial criaram uma força-tarefa para apurar os casos relacionados a povos indígenas. O MPI abriu um canal de denúncias por telefone. “Vamos seguir combatendo aqui todo tipo de violência contra as comunidades indígenas”, declarou o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena.

Rempel ressaltou que crimes graves contra a vida dos Guarani e Kaiowá ocorrem de forma contínua no Mato Grosso do Sul e não podem ser atribuídos exclusivamente ao contexto eleitoral. Ainda assim, ele afirmou que o momento exige atenção redobrada, apontando o bolsonarismo como “uma das faces mais agressivas” da sociedade sul-mato-grossense contra os povos indígenas e como “uma camada a mais” no histórico de violências e violações sofridas pelos Guarani-Kaiowá.


Fonte: Notícias ambientais

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Notícias ambientais e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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