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​Porakê Munduruku lança TAYBIT e propõe insurreição indígena contra o “cativeiro estético” da cultura pop

Nesta reportagem

BELÉM (PA) — Nesta sexta-feira, 13 de novembro de 2026, a partir das 17h, o Espaço Cultural Apoena será palco do lançamento oficial de TAYBIT: Poética Selvagem & Retomada Lírica (Editora Boiúna, 2026, 106 p.), nova obra do escritor, roteirista, pesquisador e artivista Porakê Munduruku. O evento reunirá literatura, debate anticolonial e intervenções culturais.

​Se em seu livro anterior, Imuê’en: Por um estar no mundo originário (2024), o autor assentou os alicerces conceituais da resistência contra o apagamento histórico das populações originárias, em TAYBIT ele dispara uma “flecha no centro do debate anticolonial”. Na língua Munduruku, taybit designa a raiz semântica para saber, conhecer ou compreender. Contudo, na perspectiva originária, o conhecimento é indissociável da práxis: conhece-se fazendo e sentindo no corpo.

​A proposta da obra: Hackeando a cultura pop e o “cativeiro estético”

​Dividida em três frentes integradas — ensaios críticos, produção poética e manifestos/cartas políticas —, a obra apresenta uma reflexão sobre estética, semiótica e representatividade indígena na mídia global e na cultura pop.

​Porakê Munduruku confronta o que a crítica denomina como “cativeiro estético” — a tentativa colonial de encarcerar os corpos e os diacursos de autores indígenas no nicho do exotismo, do passado folclórico/mítico ou da autobiografia exótica. Em contrapartida, o autor reivindica o direito originário à universalidade, invadindo e desconstruindo gêneros consolidados da indústria do entretenimento:

  • ​O Terror e a Ficção Científica sob Análise Semiótica Originária: O autor demonstra como franquias consagradas de Hollywood como Alien e O Predador operam como espelhos da paranoia colonial e do “medo do revide”, enquanto o mito moderno do vampiro sugou elementos da fauna, relatos coloniais e o imaginário nativo das Américas (como os Camazotz Maias e Cupendiepes Apinajés) sem o devido reconhecimento.
  • ​Jogos Narrativos e Oralidade: Debate o potencial transformador dos RPGs de mesa como territórios de reencontro com a ancestralidade e desconstrução das estruturas eurocêntricas da criação de novos mundos.
  • ​Música e Teatro Popular como resistência: Traça as conexões entre a resistência indígena, o teatro popular dos Pássaros Juninos e fenômenos pop como o Rock ‘n’ Roll (desde Link Wray e Jimi Hendrix até o movimento Rez Punk) e o Hip Hop reapresentando essas linguagens artísticas como tecnologias ancestrais de resistência.

​Sobre o Autor

​Nascido em Belém e criado na periferia de Ananindeua, Porakê Munduruku (nome de pertencimento étnico de Glailson Augusto Rocha dos Santos) é engenheiro agrônomo, analista ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (SEMAS-PA), roteirista premiado de jogos e produções audiovisuais e integrante da coordenação do Tekó – Coletivo de Artivismo Indígena da Região Metropolitana de Belém e da Kabiadip – Articulação Munduruku no Contexto Urbano. Sua trajetória é marcada pela atuação em prol do letramento étnico-racial, pela retomada das identidades originárias fora dos territórios demarcados e pelo combate ao etnocídio e ao racismo estrutural.

​A Poética Selvagem e a Retomada Lírica

​”A Poética Selvagem é a nossa forma, o arco que tensionamos contra o colonizador; a Retomada Lírica é o conteúdo e a nossa disposição inabalável de lutar”, afirma o autor. TAYBIT surge como uma obra de acesso aberto (Open Access) e download gratuito, propondo um choque direto com a passividade e reafirmando que o futuro é ancestral, indômito e irredutível. Disponível em plataformas como o Google Play Books e Amazon a obra conta com algumas poucas cópias físicas para venda direta através do @teko.artivismo no Instagram como parte de uma campanha para cobrir os custos do projeto.

​SERVIÇO

  • ​Evento: Lançamento do livro TAYBIT: Poética Selvagem & Retomada Lírica, de Porakê Munduruku
  • ​Entrada: Gratuita

​Contatos para a Imprensa & Entrevistas:

  • ​E-mail: porake.mdk@gmail.com
  • Fone-Whatsapp: (91)93500-9819
  • ​Realização / Apoio: Tekó – Coletivo de Artivismo Indígena / Editora Boiúna / Espaço Cultural Apoena 
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