Revista de jornalismo investigativo indígena Santa Maria (RS)
Apoie
Skip to main content Scroll Top

Lideranças indígenas de três continentes se unem contra mineração predatória

Lideranças indígenas da Amazônia, Ásia e África se reuniram em Raja Ampat, na Indonésia, e elaboraram a Declaração de Arborek contra o avanço do garimpo e da mineração de níquel em seus territórios, documento que será entregue na COP17 da Biodiversidade.

Nesta reportagem

Encontro em Raja Ampat, na Indonésia, reuniu Kayapó e outros povos para exigir fim do garimpo e da mineração de níquel em territórios tradicionais

Mais de cem lideranças indígenas da Ásia, África e Amazônia se reuniram em agosto de 2026 no arquipélago indonésio de Raja Ampat para o encontro Heyul Pelei Koranu Fyak, a Grande Assembleia das Comunidades Indígenas. O evento, apoiado pelo Greenpeace Indonésia e pelo Institut USBA, reuniu povos que enfrentam o avanço da mineração sobre seus territórios em diferentes partes do mundo. Ao final de três dias de trocas, os participantes elaboraram a Declaração de Arborek, que será entregue por representantes indígenas na COP17 da Biodiversidade, marcada para outubro na Armênia.

Pahn Ô Kayapó, liderança da Amazônia que enfrenta invasões de garimpo ilegal em seu território, relatou a identificação com a floresta preservada de Raja Ampat: “Vendo a floresta aqui, eu me senti como se fosse a minha floresta bem preservada. Estamos aqui buscando a solução”, afirmou. Doto Tatak-ire, presidente do Instituto Kabu, organização do povo Kayapó que atua nas Terras Indígenas Menkrãgnoti e Baú, entre Pará e Mato Grosso, pediu apoio internacional: “Eu pediria o apoio de vários países para acabar com o garimpo. A floresta não existe só para a gente, é para o mundo inteiro”, disse, destacando que as bases de vigilância do povo Kayapó reduzem invasões, mas as ameaças de garimpeiros, madeireiros e grileiros crescem a cada dia.

Segundo o Greenpeace Brasil, bilhões de dólares em ouro são extraídos de garimpos ilegais na Amazônia brasileira, provocando desmatamento, contaminação por mercúrio e invasões de Terras Indígenas. Investigação da organização mostrou que, entre 2018 e março de 2026, irregularidades permitiram a comercialização de 25,3 toneladas de ouro de origem ilegal, avaliadas em R$ 18,4 bilhões, inseridas nas cadeias nacionais e globais.

Em Raja Ampat, na Papua Ocidental indonésia, comunidades indígenas protegem há gerações florestas, mangues e recifes através de práticas tradicionais como o sasi, sistema que regula o uso de recursos naturais para favorecer sua regeneração. Uma investigação do Greenpeace Indonésia denunciou ameaças de mineração de níquel na região, reconhecida pela Unesco como Reserva da Biosfera, o que levou o governo indonésio a cancelar quatro de cinco licenças em agosto de 2025. Um ano depois, três empresas ainda buscam licenças de mineração na área, duas para níquel e uma para carvão.

A Declaração de Arborek demanda que governos reconheçam os conhecimentos e modos de vida indígenas como fundamentais para enfrentar as crises climática e da biodiversidade. Povos indígenas e comunidades locais representam 6% da população mundial, mas seus territórios sobrepõem 37% das áreas naturais remanescentes do planeta, segundo dados citados pelo Greenpeace Brasil. A organização defende que projetos que afetem povos indígenas respeitem o Consentimento Livre, Prévio e Informado, direito reconhecido pela Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas.


Fonte: Greenpeace Brasil

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Greenpeace Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

Related Posts
Clear Filters

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, relaciona a violência contra os Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul à demora nas demarcações e anuncia novos processos para assinatura em 2026.

O Ministério da Saúde promove mutirão de vacinação contra o sarampo em quatro municípios amazonenses da tríplice fronteira, com apoio de distritos sanitários indígenas, diante do avanço da doença em países vizinhos.

Investigação do projeto Insustentáveis, de SUMAÚMA, mostra que uma unidade da JBS no Pará recebeu gado de fazendas ligadas a uma área de desmatamento do tamanho de Paris, segundo levantamento do Center for Climate Crime Analysis e da Repórter Brasil.

O espetáculo Zona de Sacrifício estreia em Nova Lima (MG) nesta sexta-feira, articulando teatro, dança e audiovisual para expor os discursos corporativos e os efeitos concretos da mineração sobre os territórios e seus habitantes.