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Maior doador de Tarcísio é herdeiro de família com fazendas sobre TI Piripkura

O maior doador individual da campanha de Tarcísio de Freitas em São Paulo é herdeiro de uma família de Mato Grosso cujas propriedades aparecem em levantamentos técnicos com sobreposição à Terra Indígena Piripkura, território de povos isolados.

Nesta reportagem

Celso Ferreira Penço Filho, que deu R$ 600 mil à campanha paulista, vem de família com imóveis sobrepostos ao território de isolados em Mato Grosso

O empresário mato-grossense Celso Ferreira Penço Filho é o maior doador pessoa física da campanha de reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com contribuição de R$ 600 mil em 11 de setembro, segundo reportagem do Brasil de Fato. Ele é herdeiro de uma família que mantém há décadas propriedades rurais na região da Terra Indígena (TI) Piripkura, no noroeste de Mato Grosso, onde vivem povos indígenas isolados. Parte desses imóveis aparece em levantamentos técnicos com áreas sobrepostas ao território indígena.

Segundo relatório da Operação Amazônia Nativa (Opan), os trabalhos de localização dos Piripkura começaram em 1984 com expedição à Fazenda Mudança, propriedade então pertencente a Celso Ferreira Penço, pai do doador, falecido em 2016. A família também fundou, em 1973, a Empresa de Mineração Aripuanã, que realizou pesquisas de cassiterita na área da fazenda. O relatório da Opan identifica ainda as fazendas Mudança, Mutum, Central, Madeirinha e Céu Aberto, administradas por Júlia Tretel Penço, irmã do doador, entre os imóveis com sobreposição à TI Piripkura.

Segundo consulta do Brasil de Fato ao sistema ambiental de Mato Grosso, dois Cadastros Ambientais Rurais da Agropecuária Paralelo 10, empresa hoje controlada por integrantes da família Penço, permanecem ativos sobre a terra indígena, somando 4.967,71 hectares de sobreposição em cada registro, embora incidam sobre o mesmo polígono. Celso Filho não consta no quadro societário atual da empresa. Ele também é sócio, com a irmã, da Trindade Participações, ligada à Trindade Florestal, que chegou a manter CAR com sobreposição semelhante à TI Piripkura, hoje cancelado.

O pai do doador foi um dos principais alvos da Operação Curupira II, deflagrada pela Polícia Federal em 2005, que investigava exploração e comercialização ilegal de madeira na região, com fraudes em planos de manejo e grilagem de terras. Segundo a reportagem, Celso Penço foi apontado nas investigações como beneficiário do esquema, mas o processo criminal não chegou a decisão final: a punibilidade foi extinta após sua morte, em 2016. A Agropecuária Paralelo 10 recebeu ainda, em 2008, três autos de infração ambiental somando cerca de R$ 3,1 milhões.

Celso Filho hoje também é diretor da KLN1 Geradora de Energia, que projeta a Pequena Central Hidrelétrica Pucon 2 no rio Culuene, um dos formadores do rio Xingu. A iniciativa foi enquadrada em junho deste ano para financiamento de R$ 60,1 milhões pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste. Questionado pelo Brasil de Fato sobre a motivação da doação, eventual relação com Tarcísio e possíveis direitos reivindicados sobre áreas da TI Piripkura, o empresário não respondeu até a publicação da reportagem.


Fonte: Brasil de Fato

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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