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Onze anos de lama: o crime que ainda corre no Watu

Em 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão, da Samarco, empresa controlada pela Vale e pela BHP, rompeu em Mariana (MG). Onze anos depois, a lama segue no corpo do rio Doce e na vida dos povos Krenak, Puri, Tupinikim e Guarani. Um acordo bilionário foi assinado sem que eles fossem consultados, e só agora a Justiça brasileira condenou alguém pelo crime.

Nesta reportagem

Vista do distrito de Bento Rodrigues coberto pela lama de rejeitos, com casas destruídas
O distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), dias depois do rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

Para o povo Krenak, o rio Doce tem nome e parentesco. É o Watu, o avô, o rio que dava peixe, banho, reza e caminho. Há onze anos, na tarde de 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão se rompeu no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. Matou 19 pessoas e despejou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério no rio. A lama desceu por cerca de 660 quilômetros, atravessou Minas Gerais e o Espírito Santo e chegou ao mar.

Dias depois, a lama chegou às terras Krenak em Resplendor, a centenas de quilômetros de Mariana. “Foi o dia mais triste para o meu povo”, disse Shirley Djukurnã Krenak à agência AP em 2025 (tradução livre). “Sentimos a morte do rio antes que ela chegasse.”

Casas de Bento Rodrigues invadidas pela lama de rejeitos de minério
Casas de Bento Rodrigues invadidas pela lama, em 19 de novembro de 2015. Foto: Rogério Alves/TV Senado (CC BY 2.0)

Desde então, a palavra que os Krenak usam é Watu kuem: o rio Doce morreu. A Revista Caipora contou essa história em dezembro de 2025, na reportagem Watu kuem: o rio Doce morreu. Onze anos depois do rompimento, voltamos ao rio para perguntar o que mudou. A resposta é que mudou muito pouco para quem vive às suas margens, e quase tudo foi decidido sem os povos que o rio atravessa.

Rio abaixo, os povos

A lama da Samarco não atingiu um rio vazio. Ao longo do rio Doce e da sua foz vivem povos que dependem dele para comer, plantar, rezar e existir.

Em Resplendor (MG), vive o povo Krenak, os Borum do Watu, a “gente do rio”. Na mesma região vivem três comunidades do povo Puri: Ã Puki, em Resplendor, com cerca de 50 pessoas; Krim Orutu, em Itueta, com cerca de 100; e Uchô Betháro, em Aimorés, com cerca de 30. Os Puri já foram declarados extintos pelo Estado brasileiro. Seguem de pé, como os povos do Ceará que a Caipora mostrou em Declarados extintos, os povos indígenas do Ceará seguem de pé.

No litoral do Espírito Santo, em Aracruz, perto de onde o rio encontra o mar, vivem os povos Tupinikim e Guarani. A Terra Indígena Comboios, homologada em 1998, tem cerca de 4 mil hectares e 928 moradores em 276 famílias, segundo o Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Ao lado fica a Terra Indígena Tupiniquim Guarani, homologada em 2010, onde estão aldeias como Caieiras Velha, Irajá e Pau Brasil.

Imagem de satélite da foz do rio Doce com uma pluma marrom-alaranjada de lama avançando sobre o mar azul
Em 30 de novembro de 2015, o satélite Landsat 8 registrou a pluma de lama do rio Doce avançando quilômetros mar adentro, na foz, em Linhares (ES). Imagem: NASA Earth Observatory/Joshua Stevens, com dados Landsat do USGS (domínio público)

O caminho da lama

Cerca de 660 quilômetros até o mar

Do rompimento em Mariana à foz, no Espírito Santo, a lama atravessou o território de quatro povos indígenas. Esquema fora de escala.

Povos indígenasCidades e marcos
  1. Mariana (MG)Barragem de Fundão

    A barragem da Samarco rompe em 5 de novembro de 2015, no distrito de Bento Rodrigues. 19 pessoas morrem.

  2. Governador Valadares (MG)A maior cidade do rio

    A maior cidade às margens do rio Doce. Aqui, em 5 de novembro de 2026, o MAB faz o ato “11 anos da morte do rio Doce”.

  3. Resplendor (MG)Krenak · Puri (Ã Puki)

    Terra Indígena Krenak, do povo Borum do Watu, a “gente do rio”. Na mesma cidade vive a comunidade Puri à Puki, com cerca de 50 pessoas.

  4. Itueta e Aimorés (MG)Puri (Krim Orutu e Uchô Betháro)

    Comunidades do povo Puri, que o Estado já declarou extinto: Krim Orutu, com cerca de 100 pessoas, e Uchô Betháro, com cerca de 30.

  5. Colatina (ES)Cidade às margens do rio

    Única das 11 cidades capixabas mais atingidas que ficou fora do Novo Acordo; aposta na ação em Londres.

  6. Regência, Linhares (ES)Foz do rio Doce

    A lama chega ao mar Atlântico, a cerca de 660 km de Mariana.

  7. Aracruz (ES)Tupinikim · Guarani

    TI Comboios (928 moradores, 276 famílias) e TI Tupiniquim Guarani, com aldeias como Caieiras Velha, Irajá e Pau Brasil.

Fontes: Agência Gov/MPI, Revista Caipora, ES Fala, MAB. Aracruz fica no litoral, ao sul da foz. Infográfico: Revista Caipora.

Para esses povos, o dano não se mede só em peixe morto. Na reportagem de 2025, a Caipora mostrou que perícias da empresa AECOM, contratadas pela Justiça Federal, encontraram ligação entre o rompimento e metais pesados nos alimentos da bacia, e que uma nota técnica do Ministério da Saúde, de 2023, recomendava ampla divulgação desses resultados. Os moradores não foram avisados. Na aldeia Krenak, a água passou a chegar em caminhão-pipa e garrafa. “Os peixes estão contaminados, as pessoas estão doentes”, disse à AP a deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG), em novembro de 2025 (tradução livre).

Um acordo bilionário, assinado sem consulta

Em 25 de outubro de 2024, o governo federal, os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, o Ministério Público, as Defensorias e as empresas Samarco, Vale e BHP assinaram o chamado Novo Acordo do Rio Doce. O valor total anunciado é de R$ 170 bilhões, somando o que já tinha sido gasto pela Fundação Renova, criada pelas próprias mineradoras em 2016. O Supremo Tribunal Federal homologou o acordo em novembro de 2024.

Segundo números divulgados pela própria Samarco em outubro de 2026, R$ 82,6 bilhões foram executados até agora, cerca de metade do previsto, e 648 mil pessoas receberam indenizações ou auxílios desde 2015. Esses números não foram verificados de forma independente pela Caipora.

Para os povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, o acordo reservou um capítulo à parte, o Anexo 3: R$ 8 bilhões, pagos em 20 anos. Desse total, a proposta prevê R$ 1,59 bilhão para os Tupinikim e Guarani de Aracruz e mais de R$ 108 milhões para os Puri de Minas Gerais. O dinheiro serviria para assessoria técnica independente, auxílios por família e medidas coletivas nos territórios.

Reunião de representantes do governo federal com comunidades indígenas sobre o Novo Acordo do Rio Doce
Em 2025, uma caravana do governo federal apresentou o Anexo 3 do Novo Acordo às comunidades indígenas. O próprio governo afirmou que as visitas não tinham caráter de consulta. Foto: Rony Eloy/MPI

O Novo Acordo do Rio Doce

Para quem vai o dinheiro

Os valores para os povos indígenas são uma fração pequena do acordo e foram definidos antes de qualquer consulta.

Valor total anunciado do acordo
R$ 170 bi
Executado até 2026, segundo a Samarco
R$ 82,6 bi
Anexo 3: indígenas, quilombolas e tradicionais (20 anos)
R$ 8 bi
Proposta para os Tupinikim e Guarani de Aracruz
R$ 1,59 bi
Proposta para os Puri de Minas Gerais
R$ 108 mi

Os Tupinikim rejeitaram formalmente o acordo e o Anexo 3 em fevereiro de 2026. Se um povo recusa, as obrigações voltam para as empresas.

Fontes: Agência Gov/MPI (Anexo 3), Samarco via Diário do Comércio (valor executado, não verificado de forma independente). Infográfico: Revista Caipora.

O problema começa pela ordem dos fatores. A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que o Brasil incorporou ao seu direito, obriga o Estado a consultar os povos indígenas de forma livre, prévia e informada antes de tomar decisões que os afetam. No caso do rio Doce, o acordo foi assinado primeiro. A consulta veio depois, e os povos só puderam dizer se aceitavam ou não o que já estava pronto.

O próprio governo reconheceu isso. Em março de 2025, quando representantes federais visitaram as aldeias Tupinikim e Guarani para explicar o acordo, Jarbas Vieira da Silva, da Secretaria-Geral da Presidência, disse que a visita “não tem caráter nenhum de consulta em relação ao aceite ou não dos povos indígenas”, segundo a Agência Gov. O prazo para os povos decidirem se aderiam ao Anexo 3 terminou em março de 2026. Se um povo recusa, as obrigações voltam para as empresas.

Os Tupinikim recusaram. Em fevereiro de 2026, em reuniões com a Defensoria Pública da União (DPU), o Ministério Público Federal (MPF), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o MPI nas aldeias Irajá, Caieiras Velha e Pau Brasil, que reúnem cerca de 80% dos Tupinikim de Aracruz, as comunidades formalizaram a rejeição do acordo e do Anexo 3. Os motivos, segundo o jornal Século Diário: falta de transparência nos critérios de indenização, estudos técnicos aprovados pelas comunidades que foram descartados e a ausência da consulta obrigatória. Em março de 2026, a Comissão Brasileira Justiça e Paz, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), denunciou a exclusão dos Tupinikim e Guarani e afirmou que ela “perpetua um padrão de agressões e mutismo”.

Nos trilhos da Vale

Sem ser ouvidos na mesa, os Tupinikim foram para os trilhos. Entre 2025 e o início de 2026, a juventude Tupinikim ocupou o ramal Piraquê-açu da Estrada de Ferro Vitória-Minas, da Vale, que corta o território indígena em Aracruz. O acampamento durou mais de 120 dias. A Justiça Federal deu duas ordens de reintegração de posse, e a Vale obteve autorização para vigiar os indígenas dentro das aldeias. A juventude denunciou que a polícia avançou sobre o acampamento além do que a ordem judicial permitia e que a Justiça tentou culpar lideranças individualmente.

Em 2026, lideranças das aldeias Pau Brasil, Caieiras Velha e Irajá levaram o protesto para os trilhos da Vale em Resplendor, em Minas Gerais, onde corre o processo na Justiça Federal. Depois de seis dias, liberaram a ferrovia quando a Vale aceitou rever o modelo de indenização. A principal crítica é que os pagamentos foram calculados por família, com o homem como chefe, deixando de fora mulheres e jovens indígenas. “Tem famílias e pessoas que estão fora do processo”, disse o cacique Vilmar Tupã Atã, da aldeia Caieiras Velha, ao Século Diário. “A empresa já prometeu antes e não cumpriu.”

A nota dos Tupinikim resume a posição em uma frase: “Direito não se negocia, se garante.”

Onde estão os Krenak no acordo

Nesta apuração, a Caipora não encontrou informação pública sobre a situação específica do povo Krenak no Novo Acordo do Rio Doce. Os documentos do governo federal sobre o Anexo 3 citam os Puri, os Tupinikim e os Guarani, mas não os Krenak. Cabe ao MPI, à Funai e ao MPF explicar publicamente como os Krenak estão sendo tratados na reparação.

Pessoas do povo Krenak e autoridades diante da Justiça Federal com uma faixa pela demarcação de Sete Salões
Krenak e autoridades diante da Justiça Federal com a faixa “Sete Salões é território do povo Krenak. Demarcação já!”. Foto: Divulgação/MPF

O que se sabe é que os Krenak carregam outras dívidas do Estado. Em abril de 2025, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) confirmou a condenação da União, da Funai e do Estado de Minas Gerais pelas violações cometidas contra os Krenak durante a ditadura militar, no Reformatório Krenak e no exílio forçado na Fazenda Guarani, em Carmésia (MG). A decisão deu seis meses para a Funai concluir a demarcação da Terra Indígena Krenak de Sete Salões, de 16.595 hectares, identificada em 2023. Na última informação pública que encontramos, de abril de 2025, ainda faltava a portaria declaratória do Ministério da Justiça.

A Caipora contou essa memória em O serviço que inventou o “índio”. O povo que o Estado tentou apagar na ditadura é o mesmo que viu a mineração matar o seu rio na democracia.

A Justiça que demorou onze anos

Em novembro de 2024, a Justiça Federal de Ponte Nova (MG) absolveu todos os réus do processo criminal pelo rompimento, alegando falta de provas da responsabilidade individual. Até então, ninguém tinha sido condenado.

Vista aérea da barragem de Fundão rompida, com o rastro de lama descendo o vale
A barragem de Fundão logo depois do rompimento, em novembro de 2015. Foto: Corpo de Bombeiros de Minas Gerais/Divulgação

Isso mudou em 3 de setembro de 2026. Ao julgar recursos do MPF e de familiares das vítimas, a 2ª Turma do TRF6 condenou, por unanimidade, a Samarco e três gestores que ocupavam cargos de gerência operacional na época do rompimento. Germano Silva Lopes e Daviély Rodrigues Silva receberam 8 anos e 9 meses de prisão em regime inicial fechado. Wagner Milagres Alves recebeu 7 anos, 3 meses e 15 dias em regime semiaberto. A Samarco ficou proibida de contratar com o poder público por dez anos e terá de pagar R$ 7 milhões entre multa e contribuição ao Fundo Nacional do Meio Ambiente. Os demais réus continuam absolvidos. Ainda cabem recursos.

Do outro lado do oceano, o caso andou mais rápido. Em novembro de 2025, a Alta Corte de Londres declarou a BHP responsável pelo rompimento, numa ação movida por mais de 400 mil atingidos brasileiros, que pedem cerca de R$ 250 bilhões. Em 2026, a BHP perdeu as tentativas de recorrer. A fase que vai definir o valor das indenizações está prevista para começar em abril de 2027.

Linha do tempo

Onze anos de espera

  1. nov. 2015
    Fundão rompe

    A barragem da Samarco (Vale e BHP) rompe em Mariana. 19 mortos.

  2. 2016
    Nasce a Fundação Renova

    Criada pelas próprias mineradoras para conduzir a reparação.

  3. out. 2024
    Novo Acordo do Rio Doce

    R$ 170 bilhões, assinado sem consulta prévia aos povos indígenas. O STF homologa em novembro.

  4. nov. 2024
    Todos absolvidos

    A Justiça Federal de Ponte Nova absolve todos os réus do processo criminal.

  5. abr. 2025
    Reparação aos Krenak

    O TRF6 confirma a condenação do Estado pelas violações da ditadura e manda demarcar Sete Salões.

  6. nov. 2025
    BHP responsável em Londres

    A Alta Corte inglesa declara a BHP responsável pelo rompimento.

  7. fev. 2026
    Tupinikim dizem não

    As aldeias de Aracruz formalizam a rejeição do acordo e do Anexo 3.

  8. set. 2026
    Primeira condenação

    O TRF6 condena a Samarco e três gestores. Ainda cabem recursos.

  9. abr. 2027
    Indenizações em Londres

    Previsão de início da fase que vai definir os valores na ação contra a BHP.

Fontes: ES Fala, Cimi, Agência Gov, Século Diário, Mining Reporters, Estado de Minas. Infográfico: Revista Caipora.

Onze anos depois, o placar é este: uma empresa e três gestores condenados em segunda instância, ainda com direito a recurso; uma mineradora responsabilizada num tribunal estrangeiro; e um acordo que os povos indígenas não ajudaram a escrever.

A Mãe Terra não assina acordo

As empresas apresentam números de recuperação. Segundo a Samarco, até setembro de 2026 foram 47,9 mil hectares destinados ao reflorestamento e 4.676 nascentes em recuperação. São dados da própria empresa e não foram verificados de forma independente.

Para os povos do rio, a conta é outra. O Watu não é um recurso hídrico a ser recuperado, é um parente. Na reportagem de 2025, Ni Krenak já dizia o que faltava: “Não adianta dar gado, porco, galinha. Tinha era que reflorestar, cuidar das nascentes.” E Ailton Krenak resumiu o estado do rio: “O rio Doce está em coma.”

A lama não respeitou fronteira de estado, de município ou de aldeia. Atravessou o território de quatro povos e chegou ao mar. O acordo, ao contrário, foi escrito em salas onde esses povos não estavam. É a velha inversão colonial: quem destruiu o rio decide como repará-lo, e quem sempre cuidou dele é chamado depois, para dizer sim ou não ao que já está pronto.

Análise: o crime continua

Esta seção é opinião da Revista Caipora.

Chamar o que aconteceu em Mariana de “tragédia” ou “desastre” é aceitar a linguagem das empresas. Tragédia é o que ninguém poderia evitar. O rompimento de Fundão tem responsáveis, e desde setembro de 2026 a própria Justiça brasileira reconhece isso. É um crime. E é um crime que não terminou em 2015: continua em cada aldeia que bebe água de caminhão-pipa, em cada criança Krenak que não pode tocar no rio, em cada família Tupinikim deixada de fora da lista de indenização.

Procissão com dezenas de pessoas carregando uma grande cruz de madeira e pequenas cruzes brancas, diante de um painel com fotos
Ato que marcou os dez anos do rompimento, em novembro de 2025: as cruzes lembram as 19 pessoas mortas. Foto: Divulgação/MPF

O Novo Acordo mostra como o Estado brasileiro ainda trata os povos indígenas. O dinheiro existe, e é muito. Mas foi negociado de cima para baixo, com a consulta transformada em formalidade depois do fato. A Convenção 169 não pede que os povos sejam informados do que foi decidido; pede que participem da decisão. Quando os Tupinikim recusam o acordo, não recusam a reparação. Recusam ser tratados como assinatura de um contrato alheio.

Onze anos depois, a pergunta não é quanto as mineradoras já pagaram. É se o Watu vai voltar a correr limpo e se os povos que o rio atravessa vão decidir o próprio futuro. Enquanto isso não acontecer, a Caipora vai seguir chamando o crime pelo nome.

Como fizemos

Esta reportagem foi apurada entre 4 e 5 de novembro de 2026, a partir de decisões judiciais noticiadas, documentos e comunicados do governo federal e reportagens de veículos independentes e regionais. Os números de execução do acordo são da Samarco e não foram verificados de forma independente. As falas em inglês estão em tradução livre da Revista Caipora.

Fontes: Revista Caipora – Watu kuem, ES Fala – condenação no TRF6, Agência Gov – Anexo 3, Século Diário via Combate Racismo Ambiental – rejeição Tupinikim, Século Diário via Combate Racismo Ambiental – ferrovia, Brasil de Fato via Jornal Voz Ativa – moção da CNBB, Cimi – reparação aos Krenak, AP via Washington Times, Estado de Minas – ação em Londres, Mining Reporters – recurso da BHP, Diário do Comércio – números do acordo e MAB – jornada dos 11 anos.

Fotos: Antonio Cruz/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR); Rogério Alves/TV Senado (CC BY 2.0); NASA Earth Observatory (domínio público); Corpo de Bombeiros de Minas Gerais/Divulgação; Fred Loureiro/Secom ES; Rony Eloy/MPI; Divulgação/MPF.

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