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Super El Niño no Pacífico coincide com avanço de ondas de calor no Atlântico

Enquanto o Pacífico atinge patamar de Super El Niño, estudo da Nature revela que ondas de calor marinhas avançam há quatro décadas sobre o Atlântico tropical, impulsionadas pelo aquecimento global.

Nesta reportagem

Estudo da Nature mostra ondas de calor marinhas migrando ao Equador há 40 anos, enquanto Pacífico atinge patamar de El Niño muito forte

O Oceano Pacífico Equatorial atingiu, em agosto de 2026, temperatura 1,8°C acima do esperado na região de referência Niño 3.4, patamar que caracteriza um Super El Niño, segundo dados citados pelo Greenpeace Brasil com base na Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). No mesmo período, um estudo publicado em maio na revista npj Climate and Atmospheric Science, do grupo Nature, identificou que as ondas de calor marinhas no Oceano Atlântico vêm migrando em direção à Linha do Equador há pelo menos quatro décadas.

A pesquisa analisou dados de 1982 a 2022 e constatou que o deslocamento ocorre tanto no Atlântico Norte quanto no Atlântico Sul, a uma velocidade média de cerca de 1 grau de latitude por década — o equivalente a aproximadamente 440 quilômetros em 40 anos. Segundo os pesquisadores, o crescimento das ondas de calor é proporcionalmente maior nas regiões tropicais, que já convivem naturalmente com temperaturas elevadas, o que amplia a pressão sobre ecossistemas como recifes, baleias e peixes que dependem de condições específicas de temperatura para se alimentar e reproduzir.

Segundo Bruna Canal, porta-voz de oceanos do Greenpeace Brasil, olhar para as duas bacias oceânicas ao mesmo tempo é fundamental para entender como o oceano conecta o planeta e como o El Niño pode contribuir para eventos extremos e impactos distintos pelo território brasileiro, incluindo a Corrente do Brasil e a Confluência Brasil–Malvinas. Os pesquisadores do estudo compararam dados observados com simulações climáticas e concluíram que o aquecimento causado pelas emissões humanas — e não apenas as oscilações naturais do El Niño — é o principal responsável pela tendência de longo prazo identificada no Atlântico.

Entre os processos físicos por trás do fenômeno, o estudo aponta o enfraquecimento dos ventos em partes do Atlântico tropical, o que reduz a ressurgência, mecanismo pelo qual águas frias das profundezas sobem à superfície e ajudam a regular a temperatura e a distribuição de nutrientes no mar. Alterações na relação entre temperatura da superfície, pressão atmosférica, nuvens e radiação também reduzem a capacidade do oceano de perder calor, favorecendo o aquecimento persistente das águas tropicais.

O Greenpeace Brasil defende que o Super El Niño de 2026, embora seja um fenômeno natural, ganha força em um planeta alterado pelo aquecimento global provocado pela queima de combustíveis fósseis. A organização aponta como medidas necessárias reduzir a dependência de combustíveis fósseis, proteger ecossistemas costeiros e marinhos e ampliar áreas de proteção à biodiversidade, diminuindo as pressões sobre populações costeiras que dependem do mar para alimentação, renda e modos de vida.


Fonte: Greenpeace Brasil

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Greenpeace Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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