soja
Um ano depois da primeira versão desta reportagem, a comunidade Guarani e Kaiowá de Guyraroká, em Caarapó (MS), continua vivendo em cerca de 50 dos 11,4 mil hectares que o Estado declarou terra indígena em 2009. A ação que pode desfazer a anulação da demarcação está há 2.036 dias sem julgamento no Supremo Tribunal Federal. Nesse tempo vieram a Tropa de Choque, uma trégua que os indígenas dizem não ter sido cumprida, um acordo na Justiça, novos ataques e a mesma chuva com veneno.
Onde a soja avança, aldeias, quilombos e comunidades tradicionais são atacados. A Revista Caipora mapeou 15 casos de violência, ameaça e disputa por terra em 6 estados e levantou o que fizeram governadores e prefeitos em cada um: operações policiais contra retomadas, ações na Justiça contra demarcações, leis contra ocupações e declarações que tratam a luta pela terra como crime. A violência atravessa governos de partidos diferentes. O voto é parte do contexto, não a explicação.
No estado mais bolsonarista do país, as seções indígenas deram 64% a Lula. Mas Roraima concentra 22 dos 50 locais de votação indígenas em que Flávio Bolsonaro venceu no Brasil. Os boletins de urna mostram onde: nas comunidades do garimpo, perto da cidade que cresce sobre a terra indígena e nas terras pequenas cercadas pela soja.
Documentos mostram que as multinacionais Bunge, Cofco, ADM do Brasil e CHS negociaram soja produzida por fazendeiro autuado pelo Ibama por desmatar 1,8 mil hectares de Cerrado no Piauí, área que teve o embargo ambiental suspenso e restabelecido por decisões judiciais contraditórias.
O MapBiomas registrou que a Mata Atlântica perdeu 5 milhões de hectares de vegetação nativa desde 1985 enquanto a área agrícola do bioma, sobretudo de soja e cana-de-açúcar, mais que dobrou de tamanho.
Levantamento do MapBiomas e da SOS Mata Atlântica mostra que a soja e a cana-de-açúcar multiplicaram sua área na Mata Atlântica em mais de quatro vezes desde 1985, com a agropecuária ocupando hoje 63% do bioma.

