Revista de jornalismo investigativo indígena Santa Maria (RS)
Apoie
Skip to main content Scroll Top

Soja e cana quintuplicam na Mata Atlântica em quatro décadas

Levantamento do MapBiomas e da SOS Mata Atlântica mostra que a soja e a cana-de-açúcar multiplicaram sua área na Mata Atlântica em mais de quatro vezes desde 1985, com a agropecuária ocupando hoje 63% do bioma.

Nesta reportagem

MapBiomas e SOS Mata Atlântica apontam que agropecuária já ocupa 63% do bioma, avanço puxado pelo modelo exportador de commodities

O cultivo de soja e cana-de-açúcar na Mata Atlântica cresceu de forma acelerada nos últimos 41 anos, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (21), Dia da Árvore, pelo MapBiomas e pela SOS Mata Atlântica. Em 1985, a soja ocupava 2,4 milhões de hectares no bioma; em 2025, a área chegou a 11,11 milhões de hectares, um crescimento de 4,6 vezes, respondendo hoje por 25% de toda a produção nacional do grão. A cana-de-açúcar seguiu trajetória semelhante: a área plantada aumentou 5,3 vezes no período, alcançando 6,15 milhões de hectares e garantindo metade de todo o plantio de cana do Brasil.

O levantamento, que reúne e apresenta anualmente dados sobre o bioma com a menor proporção de vegetação nativa remanescente do país, mostra que a agropecuária já ocupa 63% do território da Mata Atlântica. O avanço da soja e da cana no bioma acompanha o fortalecimento do modelo exportador de commodities agrícolas, que há décadas orienta a expansão da fronteira agrícola brasileira e pressiona os remanescentes florestais que ainda restam nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e parte do Centro-Oeste.

A Mata Atlântica é o bioma mais devastado do Brasil e abriga a maior concentração populacional do país, o que faz da disputa por seu território uma questão diretamente ligada à vida de milhões de pessoas, entre elas comunidades tradicionais e povos indígenas que ainda mantêm territórios e retomadas em meio ao avanço do agronegócio. A substituição de vegetação nativa por monoculturas de exportação reduz áreas de recarga hídrica, fragmenta corredores ecológicos e amplia a pressão sobre territórios indígenas e quilombolas cercados por plantações.

Os dados divulgados pelo MapBiomas e pela SOS Mata Atlântica reforçam um padrão observado em outros biomas brasileiros: o crescimento do agronegócio exportador se dá, historicamente, à custa da vegetação nativa e dos territórios de povos originários e comunidades tradicionais. A monitoria contínua desses indicadores é uma das poucas ferramentas disponíveis para dimensionar, ano a ano, o ritmo da devastação e subsidiar políticas públicas de proteção do que ainda resta do bioma.


Fonte: Brasil de Fato

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

Related Posts
Clear Filters

Um incêndio sem precedentes queimou 67% da Terra Indígena Maxakali em outubro de 2026, combatido inicialmente por uma brigada voluntária formada pelo próprio povo Tikmũ’ũn, enquanto o apoio federal demorava a chegar e uma ordem judicial sobre fornecimento de água já estava descumprida havia meses.

Em audiência na ALMG, comunidades cobram transparência no Novo Acordo Rio Doce e apontam reassentamentos incompletos e falta de participação

Balanço da Casa de Governo mostra que operações contra o garimpo ilegal na Terra Yanomami causaram prejuízo de R$ 67 milhões em quatro meses, enquanto a Missão Yanomami registra queda nas mortes por malária e desnutrição no território.

Povos originários de mais de dez territórios do Paraná se reúnem neste sábado em Curitiba para denunciar o aumento da violência política pós-eleitoral e cobrar demarcação de terras e fim do Marco Temporal.