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Mulheres do Médio Xingu se organizam contra Belo Monte

Mulheres Juruna, Xikrin, Arara e de outros povos do Médio Xingu criam organização para enfrentar os impactos de Belo Monte e a ameaça da mineradora Belo Sun.

Nesta reportagem

Yudjá, Xikrin, Arara e outros povos se unem em nova entidade após 16 anos de impactos da hidrelétrica e diante da ameaça da mineradora Belo Sun

Cerca de 100 mulheres de povos indígenas do Médio Xingu – Juruna (Yudjá), Arara, Xikrin, Xipaya, Kuruaya, Parakanã e Asurini – se reuniram por três dias e criaram a Organização e Governança das Mulheres Indígenas do Médio Xingu. A entidade nasce para unir a experiência dessas mulheres na luta contra os impactos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e para enfrentar a ameaça da mineradora canadense Belo Sun, que planeja construir à beira do Rio Xingu o que descreve como a maior mina de ouro a céu aberto do país.

Segundo relatos das próprias mulheres à reportagem, o Rio Xingu, na altura da Terra Indígena Paquiçamba, do povo Yudjá-Juruna, teve entre 70% e 80% de sua água desviada para alimentar a usina, formando o chamado Trecho de Vazão Reduzida. O Monitoramento Ambiental Territorial Independente da Volta Grande do Xingu, feito por indígenas e ribeirinhos, documenta que o rio enche de repente, os peixes desovam e a usina retira a água em seguida, fazendo as ovas apodrecerem – o que compromete a segurança alimentar dos Yudjá-Juruna, que passaram a depender de alimentos vindos de Altamira e de tanques com tambaqui, espécie que não é nativa da região.

O Médio Xingu abrange 11 Terras Indígenas e uma área ainda não demarcada, em municípios marcados por recordes de desmatamento e queimadas, avanço da pecuária e da soja e pela Rodovia Transamazônica. Jayra Juruna, uma das idealizadoras da organização, relata que a Norte Energia, concessionária de Belo Monte, negociava apenas com lideranças – majoritariamente homens – por meio do Plano Emergencial, que distribuía recursos e bens às aldeias. De acordo com dados citados pelas indígenas, a desnutrição infantil nas aldeias da região cresceu 127% entre 2010 e 2012, e o atendimento de saúde a povos indígenas nas cidades do entorno aumentou 2 mil por cento no mesmo período, levando a Funai a recomendar em 2014 a distribuição de cestas básicas.

A Norte Energia afirma que suas ações foram definidas a partir de demandas dos próprios indígenas e acompanhadas pelos órgãos responsáveis, e que o projeto de criação de peixes em tanques, autorizado pelo Ibama, gerou receita superior a 2 milhões de reais em 2024 e 2025, atendendo 71 famílias. A empresa diz ainda que a construção de casas de alvenaria nas aldeias atendeu a um pedido dos próprios indígenas, embora as obras tenham sido suspensas por decisão judicial.

Ngrenhdjãm Xikrin, da Terra Indígena Trincheira Bacajá, e Tjitpotem Arara, da Terra Indígena Arara do Laranjal, relatam que a abertura de estradas motivada pela dificuldade de navegação no rio facilitou a entrada de madeireiros, garimpeiros e grileiros, intensificando o desmatamento e exigindo operações da Polícia Federal. Para as mulheres da nova organização, a experiência acumulada na resistência a Belo Monte deve fortalecer a luta contra a Belo Sun e garantir que suas vozes, historicamente pouco ouvidas nas negociações com empreendedores, tenham peso nas decisões sobre o futuro de seus territórios.


Fonte: SUMAÚMA

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de SUMAÚMA e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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