Relatório Forest Declaration Assessment 2026 aponta maior queda anual desde 2018-2020, mas mundo segue longe da meta de zerar desmatamento até 2030
O mundo perdeu sete milhões de hectares de floresta em 2025 — área equivalente ao tamanho da Irlanda —, segundo o relatório “Forest Declaration Assessment 2026”, lançado nesta terça-feira (13/10). O número é expressivo, mas representa uma queda de 15% em relação à área desmatada em 2024, a maior redução anual desde o período de referência de 2018-2020. A queda foi puxada principalmente pela América Latina, com destaque para Brasil e Colômbia.
A zona tropical da América Latina e do Caribe concentrou a maior perda florestal do planeta em 2025, com 2,54 milhões de hectares desmatados, área similar à de Alagoas. Ainda assim, foi também onde ocorreu a maior queda em relação a 2024, de 28%. O relatório atribui parte desse resultado ao fortalecimento de políticas ambientais em países da região. No Brasil, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou os recursos destinados à fiscalização ambiental, e o desmatamento na Amazônia brasileira caiu, no último ano, para o menor nível em uma década. Na Colômbia, sob o governo de Gustavo Petro, o país registrou seu quarto ano consecutivo de queda no desmatamento, reduzindo o corte de árvores associado à pecuária em departamentos como Meta, Caquetá e Guaviare.
Os pesquisadores do relatório alertam, porém, que esses avanços dependem de continuidade política e temem retrocessos. A preocupação envolve a possível ascensão de lideranças de extrema direita no Peru, com Keiko Fujimori, e na Colômbia, com Abelardo de la Espriella, além da possibilidade de Flávio Bolsonaro chegar à presidência do Brasil e repetir a política ambiental de seu pai, Jair Bolsonaro.
Enquanto a América Latina e o Caribe avançaram, a situação se agrava na Bacia do Congo, na África, que abriga a segunda maior floresta tropical do planeta. A região perdeu 2,4 milhões de hectares em 2025, aproximando-se, pela primeira vez, do nível de desmatamento registrado na Amazônia. “Perder uma área florestal desse tamanho todos os anos é um desastre”, afirmou Samuel Nguiffo, advogado e fundador do Centro para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, em Camarões.
Apesar da desaceleração, o mundo segue distante da meta de eliminar o desmatamento até 2030, compromisso assumido por mais de 140 líderes na COP26, em Glasgow, em 2021. Para cumprir essa meta, o desmatamento global precisaria estar hoje na casa de 4 milhões de hectares — 41% abaixo do índice atual, aponta o relatório. Os autores do estudo alertam ainda que o fenômeno chamado “Super El Niño” pode intensificar os riscos de seca e propagação de incêndios em florestas tropicais, situação já observada na Indonésia e na Amazônia brasileira.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

