Enquanto Lula amplia políticas de adaptação, Flávio Bolsonaro nega influência humana no aquecimento global, dizem especialistas ouvidos pela InfoAmazonia
Um El Niño classificado como muito forte deve atingir seus efeitos mais graves na Amazônia neste verão e no início de 2027, já sob um novo governo federal, segundo José Marengo, coordenador-geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A previsão aumenta o peso das propostas climáticas apresentadas pelos candidatos ao segundo turno das eleições de 2026, Lula e Flávio Bolsonaro, conforme análise da InfoAmazonia.
Segundo o Observatório do Clima, apenas Lula reconhece a existência da crise climática entre os dois candidatos. O petista propõe institucionalizar a adaptação climática como eixo permanente do planejamento público, fortalecer o Plano Nacional de Adaptação Climática e ampliar o Programa Cisternas, além de integrar o Sistema Único de Assistência Social ao atendimento de populações atingidas por desastres. Flávio Bolsonaro, por sua vez, menciona o tema apenas uma vez em seu plano de governo de 76 páginas, sem usar o termo “mudanças climáticas”, e já afirmou publicamente não acreditar na influência humana no aquecimento global, chegando a dizer, segundo a reportagem, que “o mundo está passando por um resfriamento”.
Para a bióloga Erika Berenguer, pesquisadora da Universidade de Oxford e coordenadora da Rede Amazônia Sustentável, não se pode esperar de Flávio Bolsonaro investimentos robustos em prevenção ao fogo na Amazônia. Berenguer lidera estudo que calculou a perda de 2,5 bilhões de árvores durante o El Niño de 2015-2016. Já Taciana Stec, do Instituto Talanoa, teme descontinuidade do Plano Clima, lançado em março deste ano após três anos de articulação entre ministérios, estados, municípios e sociedade civil, mas ainda sustentado apenas por decreto, sem força de lei.
A reportagem recupera o histórico do governo Jair Bolsonaro (2019-2022) como parâmetro de risco: corte de 58% na verba para brigadistas logo no primeiro ano, aumento de 54% no desmatamento da Amazônia entre 2018 e 2022, e paralisação do Fundo Amazônia, que levou países doadores como Noruega e Alemanha a suspenderem contribuições. Já sob Lula, o fundo foi retomado, com R$ 3,7 bilhões aprovados entre 2023 e 2025, incluindo R$ 550 milhões em 2025 para preparar estados contra incêndios em 2026, segundo André Lima, secretário do Ministério do Meio Ambiente.
O climatologista José Marengo afirma que a redução do desmatamento é uma das principais formas de mitigar os efeitos do El Niño, e que o desmonte de órgãos ambientais, como ocorreu no governo anterior de Jair Bolsonaro, compromete diretamente a capacidade de resposta a incêndios e eventos climáticos extremos. “Está em jogo nossa capacidade de resposta para combater as mudanças climáticas”, conclui o pesquisador, em referência ao que considera decisivo na escolha eleitoral em curso.
Fonte: InfoAmazonia
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de InfoAmazonia e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

