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Estudo liga mandatos presidenciais ao ritmo de desmatamento no Brasil em 35 anos

Pesquisa da Universidade de Cambridge com dados do MapBiomas mostra que políticas de fiscalização ou seu desmonte em cada governo federal, entre 1990 e 2025, explicam variações no ritmo de desmatamento da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica.

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Pesquisa com dados do MapBiomas mostra que políticas de fiscalização ou seu desmonte explicam variações na perda de Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica entre 1990 e 2025

Um estudo liderado pela Universidade de Cambridge, assinado pelo biólogo da conservação Vinicius Tonetti, mostra que a perda de vegetação nativa na Amazônia, no Cerrado e na Mata Atlântica variou de forma expressiva conforme as políticas ambientais adotadas por cada governo federal entre 1990 e 2025. A pesquisa, publicada na revista Environmental Research Communications e divulgada pelo EcoDebate, analisou dados do MapBiomas ao longo de sete mandatos presidenciais.

Segundo o levantamento, os dois primeiros mandatos de Lula, entre 2003 e 2010, registraram queda significativa no ritmo de desmatamento nos três biomas, período em que houve fortalecimento da fiscalização, expansão do monitoramento por satélite, ampliação de áreas protegidas e restrição de crédito rural em municípios com altos índices de desmatamento. Parte desses avanços foi revertida nos governos seguintes: a perda de vegetação voltou a acelerar sob Dilma Rousseff e se intensificou no governo de Michel Temer, conforme indica o estudo citado pelo Nexo Jornal.

O levantamento aponta que o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, registrou a maior aceleração de perda de vegetação nos três biomas no período analisado. A pesquisa associa esse resultado ao enfraquecimento da fiscalização e das sanções ambientais, a mudanças na cobrança de multas, à interrupção do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e à paralisação de novas demarcações de Terras Indígenas durante sua gestão.

Com o retorno de Lula à Presidência em 2023, o estudo identifica queda substancial do desmatamento na Amazônia e na Mata Atlântica, acompanhada da retomada de ações de fiscalização e monitoramento. No Cerrado, porém, a trajetória foi distinta: a perda de vegetação nativa no bioma seguiu acelerando até 2025, conforme os dados analisados pela pesquisa.

O estudo não incluiu os números mais recentes do sistema PRODES, do INPE, referentes ao período de agosto de 2025 a julho de 2026, divulgados em 16 de outubro, que apontaram a menor área desmatada da série histórica na Amazônia, com 5.516 km², queda de 23,7% em relação ao ano anterior. Para Tonetti, os dados do estudo indicam que mandatos marcados por leis ambientais fortes, monitoramento por satélite e compromissos de desmatamento zero estão associados a reduções mensuráveis na perda de habitat ao longo de mais de três décadas.


Fonte: ClimaInfo

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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